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Prisão perpétua para chefe e membros da Irmandade Muçulmana no Egito

Egípcios durante manifestação de simpatizantes da Irmandade Muçulmana no primeiro aniversário da deposição de Mohamed Mursi, em 4 de julho no Cairo afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 05. julho 2014 - 11:19
(AFP)

Um tribunal egípcio condenou neste sábado o líder da Irmandade Muçulmana e outros 36 islamitas à prisão perpétua e confirmou a pena de morte para outros dez acusados por uma manifestação violenta.

O guia supremo Mohamed Badie, detido e processado em uma dezena de julgamentos, como quase todos os membros da direção de seu movimento islamita, já tem outras duas condenações à morte por manifestações violentas em julho de 2013, após a deposição do ex-presidente islamita Mohamed Mursi pelo exército.

Entre os condenados à prisão perpétua também figuram um diretor da Irmandade Muçulmana, Mohamed al-Beltagui, o pregador islamita Safwat Hegazy, dois ex-ministros de Mursi e dois ex-parlamentares filiados ao movimento.

O mesmo tribunal confirmou, por outro lado, as penas de morte pronunciadas contra outros dez acusados, a maioria à revelia, por esta mesma manifestação na qual duas pessoas teriam morrido em Qaliub, no delta do Nilo.

Desde a deposição, no dia 3 de julho de 2013, do presidente Mohamed Mursi, as autoridades egípcias são acusadas de utilizar a justiça como um instrumento repressivo, especialmente contra a Irmandade Muçulmana, que havia vencido todas as eleições desde as revoltas que acabaram em 2011 com três décadas de poder de Hosni Mubarak.

Mais de mil manifestantes perderam a vida, 15.000 foram detidos e centenas condenados à morte após julgamentos maciços sumários denunciados pela comunidade internacional e pelas ONGs.

No dia 14 de agosto de 2013, um verão especialmente violento, mais de 700 partidários de Mursi morreram em algumas horas pelos disparos da polícia e do exército, segundo fontes oficiais.

Em represália, os islamitas incendiaram delegacias, igrejas e casas de famílias cristãs em todo o país, acusadas de ter apoiado o golpe de Estado militar.

Desde então, os ataques contra as forças de ordem se tornaram comuns. Segundo o governo, nestes atentados, reivindicados em sua maioria por grupos jihadistas, mais de 500 policiais e soldados morreram.

Estes grupos não têm nenhum vínculo com a Irmandade Muçulmana, mas as autoridades declararam o movimento, com uma história de 86 anos, como terrorista e o relegaram à clandestinidade.

O ex-militar Abdel Fattah al-Sissi, que derrubou Mursi e se converteu recentemente em presidente depois de vencer as eleições com 97% dos votos, prometeu acabar com o movimento islamita.

A repressão, que no início estava dirigida contra os islamitas, também inclui militantes laicos e progressistas que estavam com o exército há um ano.

Também afetou jornalistas. Três repórteres da Al-Jazeera em inglês, entre eles o australiano Peter Greste, foram condenados a entre 7 e 10 anos de prisão por apoiar supostamente a Irmandade Muçulmana, um julgamento que provocou indignação internacional.

A Irmandade Muçulmana garante que seu movimento é pacífico, mas vários membros do grupo participaram de ataques contra a polícia.

Na sexta-feira, quatro pessoas morreram supostamente ao manipular um artefato explosivo em uma fazenda, propriedade de um dos líderes do grupo, segundo o ministério do Interior.

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