Desacordo Brasília-Roche sobre remédio anti-aids
Representantes do Ministério brasileiro de Saúde e do laboratório suíço Roche discordam sobre tentativa de reduzir preço do « Nelfinavir », medicamento contra aids, que o governo de Brasília compra e distribui de graça a soropositivos. Vitória do governo sul-africano (foto) na batalha dos genéricos deve reforçar posição brasileira.
O “Nelfinavir” beneficia 22 mil soropositivos no Brasil que recebem gratuitamente o remédio, patenteado pela multinacional suíça, sediada em Basiléia.
Em negociações anteriores, Roche aceitou baixar em 13% o preço do produto, proposta considerada insuficiente por Brasília. Quanto às novas negociações nada transpirou. Mas o governo pressiona o laboratório suíço. Responsável do Ministério da Saúde – que não quis se identificar – declarou a agência France Presse: “Não conhecemos a fórmula do “Nelfinavir”. Continuamos a pesquisa e decidiremos mais tarde se autorizamos a fabricação”.
O Brasil produz medicamentos genéricos para atender gratuitamente a dezenas de milhares de pessoas atingidas pela aids. Uma lei de 1997 prevê fabricação de genéricos (muito mais em conta) se a patente de remédios estrangeiros conta a doença não é utilizada no país.
O programa brasileiro contra a aids, citado como exemplo em conferências internacionais, custa 600 milhões de reais por ano – cerca de 300 milhões de dólares – só na compra de 12 medicamentos. Sete já são produzidos no Brasil.
Quase 100 mil brasileiros – num total de 580 mil soropositivos – recebem remédios contra a aids. Desde que foi implantado o programa governamental em 1997, as mortes diminuíram 40 por cento.
No braço de ferro entre Brasília e Roche, a vitória do governo sul-africano na batalha pelos remédios genéricos contra 39 empresas farmacêuticas (entre as quais 3 suíças), deve dar força aos negociadores brasileiros.
A lei sul-africana que era combatida pelos laboratórios multinacionais prevê que, em caso de urgência, o país poderá produzir remédios genéricos mesmo que eles tenham um brevê registrado, e comprar genéricos produzidos em outros países.
No caso, a ética prevaleceu: deu-se prioridade ao homem, ou seja às pessoas afetadas pela aids, e não aos lucros das empresas estrangeiras.
swissinfo com agências
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