Ataque a tiros mata dois funcionários da embaixada israelense em Washington
Dois funcionários da embaixada de Israel nos Estados Unidos foram assassinados a tiros no Museu Judaico de Washington por um homem armado que gritou “Palestina livre” ao ser preso, um crime que desencadeou tensões internacionais sobre o antissemitismo.
O assassinato foi cometido na noite de quarta-feira do lado de fora do Museu Judaico da capital, a 1,6 km da Casa Branca, enquanto acontecia um evento para jovens profissionais e funcionários diplomáticos.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, denunciou “o terrível preço do antissemitismo” e o que ele chamou de “incitação selvagem contra o Estado de Israel”.
O presidente dos EUA, Donald Trump, fez eco a esse sentimento, postando nas redes sociais: “Esses assassinatos horríveis em Washington D.C., obviamente baseados no antissemitismo, devem parar AGORA!
Israel identificou as vítimas como Yaron Lischinsky, cidadão israelense, e Sarah Lynn Milgrim, funcionária americana da embaixada, e afirmou que eram um casal com planos de se casar.
A polícia afirma ter prendido no local do ataque o suposto assassino, identificado como Elias Rodríguez, de 30 anos e morador de Chicago.
O suspeito foi acusado de duplo homicídio, homicídio de funcionários estrangeiros e posse de arma ilegal, segundo documentos judiciais apresentados nesta quinta.
Em um vídeo, é possível ver o homem com barba, jaqueta e camisa branca gritando “Palestina livre, livre” enquanto o levam.
O ataque ocorre dias depois de o museu receber um subsídio para reforçar a segurança. Tudo isso em um contexto de crescente antissemitismo após a devastadora invasão israelense de Gaza por causa de um ataque do grupo islamista Hamas em Israel em outubro de 2023.
– Tensões sobre Gaza –
A tensão é alta nos Estados Unidos e em outros países devido aos ataques israelenses contra Gaza.
O Reino Unido e a França, que intensificaram a condenação às operações de Israel nos últimos dias, condenaram o assassinato, assim como outros países.
Mas o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, culpou os governos europeus, dizendo que há uma conexão direta entre o incitamento antissemita e anti-Israel e esse assassinato.
“Esse incitamento também é realizado por líderes e funcionários de muitos países e organizações internacionais, especialmente na Europa”, disse ele.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da França, Christophe Lemoine, chamou os comentários de “ultrajantes” e “injustificados”.
O cônsul de Israel em Nova York relacionou o ataque aos protestos de estudantes americanos contra a guerra de Israel em Gaza, que ele descreveu como “tumultos sem precedentes organizados por terroristas”.
Trump atacou os manifestantes universitários, que ele também acusa de serem “pró-terroristas”, com medidas como cortes nas bolsas universitárias e deportações de ativistas estudantis estrangeiros.
– “Chamem a polícia” –
Em meio a uma confusão generalizada, testemunhas disseram que a equipe de segurança aparentemente confundiu o assassino confesso com uma vítima do tiroteio e o deixou entrar no museu, onde ele foi inicialmente consolado por espectadores.
“Algumas pessoas que estavam no local lhe trouxeram água. Fizeram com que ele se sentasse. ‘Você está bem, levou um tiro, o que aconteceu?’ E ele disse: ‘Alguém chame a polícia!’”, relatou Yoni Kalin, que estava no museu, à imprensa americana.
A chefe de polícia de Washington, Pamela Smith, disse aos repórteres que o suspeito foi visto andando de um lado para o outro do lado de fora do museu antes do ataque a tiros, por volta das 21h (22h em Brasília) de quarta-feira.
“Ele se aproximou de um grupo de quatro pessoas, sacou uma arma e abriu fogo”, disse.
Smith confirmou que o suspeito entrou no museu e foi detido por agentes de segurança. Ela afirmou que ele contou onde havia jogado a arma.
– Planos de casamento –
Lischinsky era assistente de pesquisa na embaixada israelense, enquanto sua namorada trabalhava no departamento de diplomacia pública, de acordo com seus perfis no LinkedIn.
Lischinsky era cristão, de acordo com o The Times of Israel, para quem havia trabalhado como blogueiro. Ele também tinha passaporte alemão, segundo Berlim.
O embaixador de Israel nos EUA, Yechiel Leiter, disse aos repórteres que os jovens estavam prestes a ficar noivos.
“O jovem comprou um anel esta semana com a intenção de pedir a namorada em casamento na próxima semana em Jerusalém”, afirmou Leiter. “Eram um belo casal”.
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