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Berna volta à Idade Média

"Guerra de cavaleiros". Tjoster é um dos grupos de teatro que apresenta encenações medievais na Europa. (foto: Grupo Tjoster)

Nos últimos anos festas que fazem reviver a Idade Média viram moda na Suíça e em outros países europeus.

O Museu Histórico de Berna é palco de um desses eventos. De 16 a 24 de agosto, crianças e adultos podem assistir vários espetáculos, incluindo duelos de cavaleiros em armadura.

Para celebrar os 650 de adesão à Confederação Helvética (Suíça), o cantão de Berna resolveu comemorar em grande estilo.

Ao contrário de se limitar à organização de exposições temáticas, o Museu Histórico de Berna decidiu reconstruir no seu jardim um verdadeiro acampamento medieval.

Diariamente o público presente assiste cenas da vida medieval como lutas de cavaleiros em armadura, duelos à cavalo, o dia-a-dia de artesãos e brincadeiras de bobo da corte.

Esse tipo de festa acompanha uma moda que já virou tradição em alguns países europeus. Detalhe: os espetáculos medievais já faziam sucesso muito antes das obras “Senhor dos Anéis” e “Harry Potter” se tornarem conhecidas nas telas dos cinemas do mundo inteiro, explorando histórias fantásticas da Idade Média, com suas bruxas, dragões e guerreiros invencíveis.

Cidades medievais suíças inspiram festas de época

Estavayer-le-Lac, uma pequena cidade no cantão de Friburgo ainda conserva seu centro histórico. Ela foi o primeiro local na Suíça a abrigar um evento medieval. A moda espalhou e festas semelhantes foram organizadas em várias cidades da Suíça francesa. A parte de expressão alemã do país também oferece cenários antigos que são ideais para esse tipo de manifestação.

“No início eu achava que essa seria apenas uma moda passageira. Depois eu percebi que as festas medievais estavam atraindo cada vez mais pessoas”, explica Jean-Daniel Rytz, fundador da companhia de teatro medieval “Mesnie des Bousquines em Barbe”, criada há poucos anos em Avenches, cidade fundada pelos romanos e localizada próxima do lago de Neuchâtel.

O grupo é formado por artesãos que se interessam por técnicas antigas, praticamente já desaparecidas. Para moldar seus instrumentos ou fabricar suas roupas de época eles estudam livros de história ou entrevistam arqueólogos.

“Não existem moldes de costura da vestimenta medieval. Os costureiros faziam o seu trabalho com base no seu próprio conhecimento. Para costurar minha roupas, eu freqüento museus ou analiso quadros de pintura da época, para descobrir como eram os cortes”, explica um jovem advogado alemão, que nas horas vagas atua como “costureiro medieval”.

Aprender com a brincadeira

Pela dedicação dos integrantes desses grupos de teatro, os festivais da Idade Média são uma excelente oportunidade para aprender como eram exercidas profissões tradicionais dos padeiros, fazedores de potes, fabricantes de moedas, ferreiros ou dos herboristas.

“A importância da nossa atividade está na valorização do patrimônio histórico europeu. Trata-se também de uma maneira de lutar contra os produtos estandardizados e pré-fabricados, tão comuns nessa época de globalização”, afirma Daniel Rytz.

Dentre as principais atrações da festa de Berna está a Companhia de São Jorge (Company of Saynt George), um dos mais importantes grupos de encenação medieval da Suíça. Seu diretor é John Howe, um artista canadense que já vive há anos na região de Neuchâtel e também autor das ilustrações feitas para inspirar as cenas fantásticas criadas na trilogia “Senhor dos Anéis”.

O grupo é formado por pessoas originárias de diversos países da Europa como Alemanha, Inglaterra, Polônia, França e Suíça. Eles acampam nos locais onde são organizados os eventos medievais e vivem como se estivessem no passado. Cada um é especializado numa profissão. Sua obrigação é utilizar apenas instrumentos e roupas da época. Em Berna, o grupo mostra o dia-a-dia de uma tropa militar medieval.

“Hoje em dia, os únicos testemunhos da vida na Idade Média são os objetos expostos nos museus. Porém, atrás das vitrines, eles não podem contar muita coisa. Nós tentamos então dar vida a época medieval”, afirma John Howe.

“Nosso grupo espera, sobretudo, mostrar um pouco desse período da história que é ainda dominado por clichês. Porém é obviamente muito difícil dar uma idéia precisa da vida na Europa há mil anos atrás”.

Um mundo idealizado

Exatamente esses clichês fascinam as pessoas. “Cada um imagina a Idade Média à sua maneira”, acrescenta Howe.

“Essa época é romanceada e idealizada, sobretudo depois de 1968, quando ela transformou-se num era utópica”, define Agostino Paravicini, professor de história medieval da Universidade de Lausanne.

Portanto não é de se surpreender que as festas medievais ressaltam valores como o amor, a coragem, a honra e a fidelidade. “Normalmente nós procuramos nessa época os valores que parecem ter desaparecido da nossa sociedade”, analisa o historiador.

“Em si, o interesse pela Idade Média é um pouco como uma caça ao tesouro”, conclui o canadense que ilustrou os “Hobbits”, os duendes e o mago de Gandalf do “Senhor dos Anéis”. “Talvez essa época nos ensine algo”.

swissinfo, Armando Mombelli
tradução de Alexander Thoele


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