Brasil encerrou 2025 com inflação de 4,26%, dentro da tolerância oficial
O Brasil encerrou 2025 com uma taxa de inflação anual de 4,26%, dentro da margem de tolerância estabelecida pelas autoridades monetárias, uma boa notícia para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O Banco Central do Brasil estabeleceu a meta de inflação em 3%, com uma margem de tolerância de mais ou menos 1,5 ponto percentual.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta sexta-feira (9), os preços ao consumo subiram 0,33% em um mês em dezembro. No entanto, o índice em 12 meses apresentou uma desaceleração em comparação com os 4,83% registrados em 2024.
A menos de um ano das eleições presidenciais de outubro, o presidente Lula, criticado durante boa parte do ano pelo aumento do custo de vida, comemorou os dados.
Este é o “resultado de uma política econômica séria, que faz o Brasil crescer, distribuir renda e considera, em primeiro lugar, o bem-estar do povo brasileiro”, escreveu ele na rede X.
Lula, que não esconde sua intenção de concorrer a um quarto mandato, afirmou que esse foi “o menor índice desde 2018”. “Os pessimistas estavam errados”, acrescentou.
O IBGE informou em comunicado que essa é a quinta menor taxa de inflação anual dos últimos 31 anos.
O dado está ligeiramente abaixo das projeções do mercado, que previam 4,31%, segundo o último relatório Focus divulgado pelo BCB.
– Incidência nas taxas de juros –
A desaceleração foi impulsionada principalmente pela queda nos preços dos alimentos básicos, graças a uma maior oferta após as dificuldades climáticas que afetaram as colheitas em 2024.
“Os preços dos produtos alimentícios subiram 2,95% em 2025, abaixo do resultado de 2024, quando registraram alta de 7,69%”, detalhou Fernando Gonçalves, gerente de pesquisa do IBGE.
As tarifas de energia elétrica residencial exerceram pressão de alta devido a reajustes que encareceram as faturas dos consumidores.
O dado positivo pode abrir espaço para uma flexibilização da rígida política monetária do Banco Central.
O Brasil tem uma das taxas de juros mais altas do mundo, em 15%, o que encarece o crédito e desestimula o consumo e o investimento.
Lula tem criticado repetidamente o Banco Central por manter taxas elevadas, com o argumento de que freiam o crescimento econômico do país.
A economia brasileira enfrentou fortes tensões comerciais com os Estados Unidos em 2025.
Em agosto, o presidente americano, Donald Trump, impôs tarifas de até 50% a produtos brasileiros, embora, mais tarde, o governo de Lula tenha conseguido negociar isenções a vários setores.
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