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CO2: “a Europa deve ir na frente…”

Efeito estufa terá conseqüências imprevisíveis também sobre a paisagem Keystone Archive

Europa e países industrializados de modo geral manifestaram decepção e forte crítica à decisão do governo americano de não ratificar o Protocolo de Kyoto (sobre emissões de CO2 - gás carbônico). Na Suíça, o chefe da Divisão Federal do Meio Ambiente, Philippe Roch, estima que mesmo sem os EUA, a Europa e os países em desenvolvimento devem cumprir o compromisso.

Em entrevista ao jornal Le Temps, de Genebra, na sexta-feira, 30/3, Philippe Roch não se diz surpreso com a decisão. Para ele a surpresa maior foi “o clima positivo que parecia existir durante a campanha presidencial”. Considera porém incompreensível que um país tão adiantado tecnologicamente dependa a tal ponto de energias não renováveis. Uma dependência que qualifica de “catastófica”.

Roch destaca que com essa decisão, o governo americano “dá satisfação a lobbies que só se preocupam com o curto prazo”. Mas acha que, com ou sem os Estados Unidos – que produzem um quinto do gás carbônico no planeta – é preciso ir em frente. Enfatiza que a Suíça deve se associar a outros países, manifestando surpresa e desgosto com a decisão americana.

O Le Temps lembra que a decisão do governo americano é uma reviravolta, em relação a que George Bush prometera no fim de sua campanha. Justamente de cumprir compromissos assumidos pelo país em Kyoto, em 1997, de diminuir as emissões de gás carbônico. Tomando atitude mais clara que o candidato democrata, Al Gore, Bush atraiu vozes de setores ambientalistas.

Hoje o presidente republicano alude ao Protocolo de Kyoto como um texto “totalmente irrealista” e defende objetivos mais modestos.

Resta que os Estados Unidos que contam 6 por cento da população, produzem 25 por cento CO2 que provoca o efeito estufa, tido como responsável pelo aquecimento do clima, com conseqüências catastróficas ainda não totalmente avaliadas.

Em Kyoto, 159 países adotaram o Protocolo que leva o nome da cidade japonesa, prevê que 38 países industrializados reduzam, até 2010, numa média de 5,2% as emissões de seis gases com efeito estufa. O compromisso dos EUA era de uma diminuição de 7%. O Japão reduziria 6% e a União Européia 8 por cento.

O Le Temps constata ainda que todos os países assinaram o Protocolo de Kyoto, mas que nenhum o ratificou.

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