Ferramenta mede impacto ambiental dos centros dos “data centers”
Uma ferramenta desenvolvida na Suíça promete trazer mais transparência ao impacto ambiental dos data centers, responsáveis por parcela crescente do consumo energético global. Ao medir eficiência, emissões e uso de recursos, o sistema ajuda empresas a identificar desperdícios.
Trabalhar em casa no computador, pagar um jantar com cartão de crédito ou gerar uma imagem com a ajuda da inteligência artificial: toda atividade que envolve o uso da internet depende de centros de processamento de dados (CPD). Esses edifícios cheios de servidores abrigam a infraestrutura de TI (tecnologia de informação) para o processamento e a transmissão de dados digitais.
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Data centers e smartphones geram 66% da pegada digital na Suíça
O número de CPDs está aumentando em todo o mundo, como na Suíça. Como consequência, aumentam também o consumo de energia e as emissões de CO2: os CPDs consomem cerca de 7% da eletricidade do país, e até 2030 essa participação pode mais do que dobrar. Ainda hoje, grande parte da eletricidade usada para operar essas instalações provém de combustíveis fósseis. Além disso, grandes quantidades de água são necessárias para o resfriamento dos equipamentos de TI.
Como funciona um centro de processamento de dados (vídeo em inglês):
Apesar dos compromissosLink externo de sustentabilidade em todo o setor tecnológico, os impactos ambientais reais dos CPDs permanecem amplamente desconhecidos. Diversos indicadores medem o consumo de energia. No entanto, eles não mostram quão eficientemente servidores, sistemas de armazenamento e equipamentos de rede utilizam essa eletricidade para manter nossa internet moderna em funcionamento. Devido a essa lacuna, é difícil medir o progresso rumo à neutralidade de CO2 no mundo digital.
“Infelizmente, na discussão sobre a sustentabilidade dos CPDs, ninguém considera o componente de TI”, afirma Matthias Haymoz, da SDEA. “Isso é um problema, pois hoje 80% da energia de um CPD é consumida pela TI.”
A SDEA – um consórcio fundado em 2020 composto por empresas e instituições científicas – tem como objetivo reduzir os impactos ambientais e climáticos dos CPDs. Para preencher a lacuna de informação, a organização desenvolveu em 2024 um navegador onlineLink externo. A ferramenta é a primeira no mundo a avaliar o balanço energético completo de um CPD.
Por conta disso, a SDEA foi recentemente premiada em um dos principais eventos mundiais do setor de centro de processamento de dados – um sinal de que, embora os CPDs continuem indispensáveis para o nosso mundo conectado, cada vez mais organizações desejam maior transparência sobre seu consumo de energia.
Servidores não são totalmente utilizados
O navegador SDEA, disponível online, mede a sustentabilidade de um CPD com base em dados reais de operação ao longo de doze meses. Ele analisa quatro aspectos-chave: eficiência energética da infraestrutura, utilização da TI, emissões de CO2 e consumo de água. Assim, fornece uma avaliação abrangente dos impactos ambientais de um CPD.
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Certificação suíça quer tornar data centers mais ecológicos
A ferramenta tem o suporte do Departamento Federal de Energia. Mediante pagamento, ela pode ser utilizada tanto por empresas que oferecem espaço e infraestrutura em CPDs quanto por clientes privados que possuem seus próprios equipamentos de TI.
Desde sua introdução, em julho de 2024, cerca de trinta usuários – principalmente da Europa – se registraram, segundo Haymoz. Na sua opinião, o maior potencial para redução de emissões não está nos próprios CPDs, mas em seus clientes como bancos, administrações públicas ou pequenas e médias empresas.
Em um centro de processamento de dados moderno e eficiente, a maior parte da energia é consumida por sistemas de TI, pelos quais os clientes são responsáveis, afirma Haymoz. “Segundo estimativasLink externo da IBM, hoje em dia um servidor utiliza, em média entre 12% e 18% de sua capacidade, embora isso pudesse ser aumentado com segurança para 80%.”
Isso significa que a maioria dos servidores permanece ligada e consome uma quantidade significativa de energia enquanto realiza relativamente pouco trabalho como deixar a televisão ligada mesmo quando não se está assistindo.
Em grandes empresas, continua Haymoz, milhares de servidores permanecem sem uso e ninguém percebe, pois as equipes de sustentabilidade e os departamentos de TI frequentemente não se comunicam entre si. “A otimização da infraestrutura de TI poderia representar uma fonte significativa de economia: menor consumo de energia, menos licenças, menos software.”
Reconhecimento pelo apoio à ecologização
A “Data Centre World” em Londres, o maior evento anual mundial do setor de centros de processamento de dados, reconheceu o navegador da SDEA por sua “contribuição especial” para a melhoria da eficiência energética. O prêmio foi concedido em 4 de março por um júri independente de especialistas.
A ferramenta da SDEA teve excelente desempenho em todas as categorias, segundo John Booth, diretor da empresa de consultoria Carbon3IT e membro do júri. Ela foi premiada por permitir uma operação mais consciente do ponto de vista ambiental e por fornecer resultados claros e mensuráveis sobre a eficiência energética dos CPDs.
“O uso dessa ferramenta fornece uma ‘base’ de evidências”, escreve Booth em um e-mail à Swissinfo. O próximo passo, segundo ele, pode ser implementar recomendações do código de conduta da União Europeia para a eficiência energética de CPDs, uma iniciativa voluntária que incentiva operadores a adotar práticas sustentáveis.
Segundo Matthias Haymoz, o reconhecimento internacional da ferramenta da SDEA mostra “que o setor está evoluindo de indicadores isolados para indicadores abrangentes, e de promessas de sustentabilidade para padrões verificados”.
Primeiro passo para reduzir a pegada de CO2
A Digital Realty, uma das maiores operadoras de CPDs do mundo, utilizou a ferramenta suíça em todos os seus três locais em Glattbrugg, perto de Zurique. “Queríamos aumentar a transparência sobre como medimos e comunicamos nosso desempenho em sustentabilidade”, diz Carlos Alves, gerente de capacidade e energia da Digital Realty, à Swissinfo.
A empresa já possuía um sistema interno para monitorar indicadores de desempenho. O valor adicional da ferramenta da SDEA, segundo Alves, foi oferecer um ponto de referência externo e um método padronizado para interpretar diferenças entre os locais. “Isso se torna cada vez mais importante à medida que os clientes buscam indicadores mensuráveis e verificados de forma independente.”
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Suíça lidera em centro de processamento de dados per capita e enfrenta risco de apagões
Todos os três CPDs da Digital Realty em Glattbrugg receberam a certificação mais alta (Gold PlusLink externo) da SDEA, o que confirma uma eficiência energética acima da média. Por exemplo, o calor gerado pelos servidores é reaproveitado e utilizado para aquecer edifícios vizinhos.
A maioria das medidas de otimização da empresa já havia sido implementada internamente, acrescenta Alves. Ainda assim, a ferramenta da SDEA pode continuar sendo valiosa para identificar oportunidades de melhoria, especialmente para operadores que ainda estão em uma fase inicial de aumento de eficiência.
Em um setor em rápido crescimento e cada vez mais influente, ferramentas como a da SDEA mostram que medições precisas são o primeiro passo para reduzir o consumo e as emissões dos CPDs. O desafio agora é transformar essas ferramentas opcionais em práticas amplamente adotadas.
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Tudo sobre o tema ciência
Edição: Gabe Bullard
Adaptação: Flávia C. Nepomuceno dos Santos
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