Cinco maneiras fáceis e não óbvias de se refrescar nos dias quentes da Suíça
Mesmo sem ar-condicionado, é possível reduzir significativamente a temperatura dentro de casa. Um estudo da Universidade de Ciências Aplicadas e Artes de Lucerna observou a sensação térmica interna em uma residência de repouso para idosos.
A pesquisa, realizada entre 2022 e 2025 foi co-liderada pela pesquisadora de design e arquiteta de interiores Ute Ziegler. Com base nas descobertas, Ziegler compartilha cinco dicas práticas, mas muitas vezes esquecidas, para ajudar a reduzir o estresse térmico no dia a dia sem depender de sistemas elétricos de refrigeração. Essas recomendações complementam as orientações oficiais do Escritório Federal de Saúde Pública (FOPH), como evitar esforço físico e manter-se bem hidratado (veja o quadro informativo).
1) O poder dos aromas: mentol, hortelã, limão ou alecrim
Os aromas podem desempenhar um papel surpreendentemente importante no conforto térmico. No estudo, foram usados equipamentos profissionais para difusão de fragrâncias como mentol, hortelã, limão e alecrim.
Os resultados indicam que esses aromas podem influenciar o que os pesquisadores chamam de “conforto térmico”. Acredita-se, por exemplo, que o mentol ative os receptores de frio na pele, criando uma sensação de frescor mesmo que a temperatura real permaneça inalterada.
Ziegler prefere pessoalmente o alecrim e está interessada em testar uma mistura de limão e mentol para potencializar o efeito refrescante.
2) Roupa de cama de cetim de algodão para noites mais frescas
A escolha da roupa de cama pode fazer uma diferença perceptível. Lençois de cetim de algodão macio, de preferência em tons de azul-esverdeado, mostraram-se particularmente eficazes no estudo. Esse tecido macio dissipa o calor de forma mais eficaz do que um material mais grosso, como a flanela.
Segundo Ziegler, a combinação de roupa de cama lisa com fragrâncias foi uma das estratégias mais bem-sucedidas do estudo, melhorando significativamente o bem-estar dos participantes.
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3) Sons refrescantes
A ambiência sonora também influencia a forma como percebemos o calor. Embora o efeito não seja físico, ele atua por meio de mecanismos psicológicos e neurais.
O cérebro combina continuamente informações provenientes de vários sentidos. Certos sons, como água corrente, podem despertar expectativas e emoções que alteram nossa percepção da temperatura. O som de água ou sons da natureza podem, por exemplo, aumentar a tolerância ao calor.
O projeto de pesquisa “Cool Down”, da Universidade de Ciências Aplicadas e Artes de Lucerna, testou vários conceitos de resfriamento para tornar o calor do verão mais suportável para os residentes de uma casa de repouso no cantão de Lucerna.
As conclusões foram compiladas em uma “biblioteca refrescanteLink externo” (“Cooldown Toolbox”), que apresenta dez abordagens diferentes para lidar com altas temperaturas. Embora tenha sido projetada principalmente para idosos e instituições de cuidados, muitas das recomendações também podem ser aplicadas em casa.
Como cada pessoa percebe o calor de maneira diferente, os pesquisadores enfatizam a importância de adaptar as medidas a cada indivíduo. Eles também destacam os desafios metodológicos associados ao estudo, que exigem uma investigação mais aprofundada dos resultados por meio de novas pesquisas aplicadas.
4) Opte pelo azul e pelo turquesa
Inúmeros estudos destacam a influência da cor na psicologia e no bem-estar humanos. Ao aplicar esse conhecimento ao design de interiores, seria, portanto, possível criar uma atmosfera percebida como mais fresca.
A percepção do calor pode ser influenciada pela cor das paredes ou pela iluminação. Sob luz azulada ou branca fria, os participantes do estudo da Universidade de Ciências Aplicadas e Artes de Lucerna perceberam a temperatura ambiente como significativamente mais baixa do que sob luz branca quente.
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5) Ventilação inteligente: resfriamento noturno e criação de correntes de ar
Embora influenciar a percepção seja útil, é igualmente importante impedir que o ar quente entre nos edifícios e resfriar os espaços internos quando as temperaturas caem, especialmente à noite.
Nesse sentido, adotar uma estratégia de ventilação eficaz é essencial, afirma Ziegler. A pesquisadora recomenda aproveitar o ar fresco da noite. Abrir janelas em lados opostos da casa cria ventilação cruzada, permitindo uma rápida renovação do ar.
De manhã cedo, de preferência por volta das 7h, é aconselhável fechar todas as janelas e abaixar as persianas ou fechar as venezianas para impedir a entrada de calor durante o resto do dia.
Dias muito quentes podem ter efeitos adversos à saúde. Os grupos mais vulneráveis são idosos, pessoas com doenças crônicas, crianças pequenas, bebês e mulheres grávidas.
O Departamento Federal de Saúde Pública estabelece três regras de ouro para períodos de calor:
– Evite esforço físico
– Proteja-se do calor e mantenha o corpo fresco
– Beba bastante líquido, faça refeições leves e ajuste sua medicação
Adaptação: Clarissa Levy
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