Suíços vão votar acordo com União Européia
Os acordos bilaterais assinados no ano passado com a União Européia terão de ser submetidos ao voto popular. O governo não queria, mas dois partidos de extrema-direita conseguiram obter as assinaturas necessárias ao referendo popular.
Como a Suíça não é membro da União Européia mas tem aproximadamente dois terços de sua economia ligada aos países da UE, o governo negociou duramente um acordo bilateral assinado no ano passado. Nos países da UE, esse acordo terá de ser ratificado pelos Parlamentos mas na Suíça, onde vigora o princípio da soberania popular, já se sabe que o acordo será submetido ao voto do povo.
Isso não é obrigatório mas dois partidos de extrema direta lançaram uma campanha e conseguiram obter as 50 mil assinaturas necessárias para forçar o referendo popular, contrariando assim a vontade do governo que considera o acordo imprescindível para a economia nacional.
Outros setores da sociedade também assinaram o pedido de referendo, pois sentem seus interesses ameaçados pelo acordo com a União Européia, mostrando que a oposição ao acordo pode ser mais ampla que previsto inicialmente. Cerca de um terço dos médicos de todo o país, por exemplo, assinaram o pedido de referendo porque temem que um grande número de colegas de países da UE venham trabalhar na Suíça.
O mesmo ocorre com uma parte dos agricultores que receiam uma concorrência ainda maior dos países da UE. A extrema esquerda e certos setores sindicais consideram que, com a livre circulação de trabalhadores prevista no acordo, pode haver pressão para a baixa dos salários na Suíça. Boa parte dos ecologistas também constesta o acordo. A votação popular ainda não tem data marcada.
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