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Complexo de Deus, mudança no comando da Apple e a tecnologia vai à guerra

Drone
Tecnologia militar é desenvolvida no Vale do Silício, nos Estados Unidos. Na foto: um drone. Keystone

A mídia helvética informa que John Ternus substituirá Tim Cook como diretor-executivo da gigante tecnológica Apple. Outra questão: Donald Trump possui poderes divinos?

Bem-vindos à nossa análise da cobertura da imprensa sobre os acontecimentos nos Estados Unidos. Todas as quintas-feiras, analisamos como a imprensa suíça tem noticiado e reagido a três notícias importantes nos EUA.

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Publicação de Trump nas redes sociais
Trump publicou mensagens controversas nas redes sociais Reuters / Truth Social

Misturar política com religião frequentemente termina mal. A imprensa suíça avalia que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está agitando demais este coquetel explosivo ao se retratar como Jesus nas redes sociais e, em seguida, entrar em uma disputa com o Papa.

“Mesmo para os seus padrões, Trump gerou uma indignação considerável”, observou o jornal NZZ.

Comentaristas lutam para compreender uma estratégia que pode ser um tiro no pé ao afastar uma das bases de poder político de Trump: a comunidade católica. “As tiradas de Trump contra o Papa confundiram seus apoiadores. Talvez… ele quisesse desviar a atenção da guerra no Irã quando acessou a Truth Social (plataforma de rede social criada pelo ex-presidente) em uma noite de domingo monótona”, afirmou o NZZ.

Mas seria este comportamento loucura, um complexo de Deus ou um golpe de mestre de intimidação para ajudar Trump a conseguir o que quer, semeando medo e dúvida nas mentes de seus inimigos?

A emissora pública suíça SRF coloca a questão de outra forma: “Trump é um piromaníaco? Ou ele inicia incêndios deliberadamente para atrair o corpo de bombeiros? Esta última opção corresponderia à teoria do louco (estratégia política onde um líder age de forma imprevisível para forçar adversários a cederem)”.

Mas também poderia ser uma excêntrica e elaborada “estratégia de negociação na qual uma das partes cria deliberadamente a impressão de ser imprevisível e psicologicamente instável”, ponderou a SRF.

“A impulsividade e a irracionalidade (percebidas) tornam-se armas. O objetivo: intimidar a outra parte, fazendo-a esperar qualquer coisa.”

John Ternus, futuro CEO da Apple
John Ternus, futuro CEO da Apple Keystone

Mal a Apple celebrou seu 50º aniversário, a empresa já anuncia uma mudança de liderança. Mas quem é John Ternus e em que direção o novo diretor-executivo conduzirá a multinacional no futuro?

“Uma mistura da estabilidade de Tim Cook com a paixão por produtos de Steve Jobs”, é o veredicto do jornal Le Temps. O periódico também se questiona como esses traços se converterão em desempenho. “Alguns questionaram a relevância de um candidato interno quando a marca poderia ter se beneficiado da chegada de uma figura legítima em IA, um grande desafio.”

A mídia suíça concorda que a Apple enfrenta desafios futuros duplos. Dominar a inteligência artificial é uma prioridade de longo prazo para a empresa. “Mais de três anos após o lançamento do ChatGPT, a empresa está significativamente atrás dos líderes do setor e ainda não revelou uma reformulação de sua assistente de IA, a Siri”, afirmou o Le Temps.

Um desafio mais imediato para o novo Ternus será aplacar o errático presidente dos EUA, Donald Trump.

“Resta saber como, ou mesmo se, o novo diretor-executivo da Apple pretende navegar no campo minado de Washington”, disse a emissora pública SRF, ao mesmo tempo em que se pergunta se Ternus igualará o sucesso do atual chefe da Apple, Tim Cook, em acalmar o imprevisível Trump.

Soldado com computador
A defesa está a tornar-se cada vez mais tecnológica Keystone / Alessandro Della Valle

As linhas constantemente borradas entre o uso civil e militar de tecnologia de ponta estão causando preocupação na mídia suíça. Os temores se concentram em empresas do Vale do Silício com laços com as forças armadas dos EUA.

“Algumas empresas já estão fabricando navios de guerra autônomos para a Marinha, um piloto artificial para a Força Aérea e softwares militares”, diz o Tribune de Genève.

Mas nem todos os pesos-pesados da tecnologia são iguais. A Palantir é destacada pelo Tages Anzeiger por pregar que “a elite tecnológica da América não deveria focar em aplicativos de namoro e de consumo, mas sim em um nacionalismo dos EUA e do Ocidente”.

Por outro lado, a empresa de IA Anthropic foi desprezada pela Casa Branca por se recusar a colaborar excessivamente com os militares dos EUA.

O Tribune de Genève também lamenta a política dos EUA que se recusa a considerar uma “governança global de IA militar”. “Esta recusa de um governo em permitir que as regras para o uso de software militar sejam estabelecidas por outros deve preocupar legitimamente todos os defensores do multilateralismo”, afirmou o jornal.

A crescente intrusão da tecnologia nos conflitos coloca as empresas em risco de retaliação, afirma o NZZ.

“À medida que as empresas de tecnologia se tornam fornecedoras de armas, elas perdem sua independência. Elas enfrentam a ameaça de ataques militares diretos às suas infraestruturas ou ciberataques direcionados para paralisar seus serviços”, observa o jornal.

A próxima edição de “Notícias dos EUA” será publicada na quinta-feira, 30 de abril de 2026. Até lá!

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Adaptação: Alexander Thoele, com ajuda do Deepl

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