Assassinato de funcionário da Agência Suíça para o Desenvolvimento continua sem resposta
Walter Arnold foi encontrado morto em 1996, quando planejava denunciar supostas irregularidades em projetos no Madagascar. Com caso prestes a prescrever e investigação inconclusiva, provavelmente nunca saberemos porque o homem foi assassinado.
Quando Jan Stiefel fala sobre seu amigo Walter Arnold, sua voz às vezes vacila. As lembranças ainda o afetam profundamente. Trinta anos não foram suficientes para amenizar a dor.
Na década de 1990, os dois trabalhavam para a Agência Suíça para o Desenvolvimento e a Cooperação (DDC) em Madagascar. Arnold trabalhava na construção de estradas, enquanto Stiefel era especializado em proteção da flora.
“Walter e eu nos demos bem desde o início”, diz Stiefel. Eles se encontravam regularmente no escritório de cooperação na capital. “Conversávamos sobre questões práticas e sobre como o programa em Madagascar não estava exatamente bem organizado”.
Nas pistas de um escândalo
Certa vez, Walter Arnold contou a Stiefel que estava investigando algo. “Ele disse que, assim que reunisse todas as informações e documentos, suas revelações causariam um grande escândalo na Suíça”, relembra. Ele planejava informar doadores em uma conferência.
Mas isso nunca aconteceu. Na noite anterior à reunião, Walter Arnold morreu. Ele foi encontrado torturado e estrangulado no banco de trás de seu carro.
Quem mandou matá-lo?
Ao longo dos anos, circularam inúmeras teorias sobre por que Walter Arnold foi assassinado. Alguns suspeitam do conflito entre empresas madeireiras locais e chinesas, interessadas em influenciar o traçado das estradas financiadas com recursos suíços, com o objetivo de usar os novos caminhos como rotas de transporte.
Outros acreditam que alguém da DDC tentou encobrir um suposto desvio de verbas do fundo de ajuda ao desenvolvimento. Outros ainda suspeitam que um ex-diretor adjunto da DDC quisesse ocultar alegações de que ele administrava um bordel com sua namorada.
Seja qual for o motivo, provavelmente nunca saberemos. O prazo de prescrição do assassinato de Walter Arnold expirará em breve e o caso segue ainda sem solução.
Conduta imprópria na DDC?
Stiefel lamenta que a falta de respostas no caso também signifique que a suposta conduta imprópria na DDC provavelmente nunca virá à tona. Ele considera vários aspectos do caso muito suspeitos: “O laptop de Walter desapareceu, seu corpo foi cremado sem o consentimento de sua viúva – parecia que algo estava sendo mantido em segredo”, conta.
Acima de tudo, ele diz ter ficado chocado com a falta de interesse das autoridades suíças. A viúva e a irmã de Walter Arnold chegaram a recorrer à Justiça na tentativa de forçar as autoridades a dar continuidade à investigação. Sem sucesso.
A cooperação com as autoridades malgaxes foi difícil, escreveu a Procuradoria-Geral da Suíça em resposta a um pedido de esclarecimentos. Apesar de um longo período de investigação, o autor do crime não foi identificado.
Walter Arnold foi estrangulado com uma corda. As autoridades malgaxes apreenderam a corda, mas, em 1996, a tecnologia de DNA ainda não era bem desenvolvida. O advogado que representa a família de Walter Arnold, Pierre André Rosselet, está convencido de que ainda seria possível encontrar vestígios do DNA do autor do crime na corda. “Naquela época, era muito difícil analisar vestígios de DNA. Com a tecnologia atual, isso certamente seria possível – na verdade, seria até mesmo simples. Mas isso não adianta agora, porque o caso vai logo prescrever”.
A Agência Suíça para o Desenvolvimento e a Cooperação afirma ter aberto uma investigação interna sobre a gestão dos projetos rodoviários no Madagascar, após acusações de irregularidades. A investigação não encontrou evidências de desvios ou conduta imprópria.
O Parlamento quer abolir a prescrição para o crime de homicídio. No entanto, isso chegaria tarde demais para o caso de Walter Arnold. A menos que novas evidências apareçam até 17 de julho de 2026, o caso prescreverá.
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Adaptação: Clarissa Levy
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