O custo da OTAN, a guerra no Irã e as bolhas da IA
Bem-vindos à nossa análise da cobertura da imprensa sobre os acontecimentos nos Estados Unidos. Todas as quintas-feiras, analisamos como a imprensa suíça tem noticiado e reagido a três notícias importantes nos EUA.
No fim das contas, tudo se resume a dinheiro. A OTAN está custando uma possível ruptura com os EUA, enquanto os motoristas se irritam com o preço da gasolina e os investidores avaliam o perfil de risco-retorno das novas empresas de IA.
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A 36ª cúpula da OTAN foi palco de tensões, ameaças e contradições quando Donald Trump chegou a Ancara na semana passada. “Trump submeteu o mundo inteiro a uma montanha-russa diplomática”, observou o jornal Tages Anzeiger (Tagi).
Trump fez a habitual série de reclamações, começando pela recusa dos países membros da OTAN em apoiar sua guerra contra o Irã – apenas para distribuir elogios depois que a cúpula terminou.
“Em uma aliança de defesa que existe há 77 anos e se baseia na confiança mútua, tal inconsistência é difícil de suportar a longo prazo”, afirmou o Tagi.
“Trump não vê a Rússia como uma ameaça à segurança dos Estados Unidos, nem considera que a segurança da Europa seja do próprio interesse dos EUA”, acrescentou.
Mas o jornal também observou uma mudança na reação da Europa. O continente já não está tão alarmado com a perspectiva de os EUA retirarem financiamento e apoio militar.
Em vez disso, está se preparando para a “OTAN 3.0”, na qual os países europeus reforçam suas próprias defesas para se livrar da dependência do equipamento militar dos EUA.
“O que também está ficando claro para os europeus é que, no futuro, eles poderão contar mais com a Ucrânia do que com os americanos para se defenderem contra a Rússia.”
Mas talvez não seja tão fácil se desvincular da dissuasão nuclear dos EUA ou substituir as capacidades de comando e reconhecimento que os EUA construíram ao longo de décadas. “Os anos de transição podem se revelar perigosos”, escreveu o Tagi.
- Análise da cúpula da OTANLink externo – Tages Anzeiger (alemão, acesso pago)
- Trump ataca a OTAN e o IrãLink externo – SRF (alemão)
Cada dia que passa de conflito no Oriente Médio acumula mais sofrimento para a economia global. A mais recente escalada das hostilidades no Estreito de Ormuz elevou os preços do petróleo e aumentou as chances de altas nas taxas de juros.
A mídia suíça atribui grande parte da culpa aos EUA. “A abordagem brusca e quase irracional de ‘cenoura e chicote’ que estão empregando atualmente não levará a lugar nenhum”, escreve o ex-diplomata da ONU Paul-Henri Arni no jornal Le Matin Dimanche.
“Este será um verão longo e quente. Os preços do petróleo bruto subiram, pois agora levará ainda mais tempo para que as exportações de petróleo da região do Golfo se normalizem”, prevê o jornal Neue Zürcher Zeitung (NZZ).
“Não há como contornar isso: uma vez aberta a caixa de Pandora, ela só poderá ser fechada com um esforço enorme. Quanto mais as partes em conflito demorarem, maior será a conta.”
Para o 24heures, o conflito representa “um estado de incerteza permanente para a economia. Ele está alimentando pressões inflacionárias e pode levar o Banco Central Europeu a aumentar suas taxas novamente este ano. Se entrarmos em outro período de alta tensão, isso corre o risco de pesar mais uma vez sobre o ânimo das famílias e, consequentemente, sobre o consumo.”
Mas, após identificarem os sintomas (o Estreito de Ormuz) e a causa do mal (os EUA), os repórteres suíços mostram-se menos certos quanto a prescrever uma cura antes das eleições de meio de mandato nos EUA, em novembro.
O NZZ está convencido de que Trump atribuirá a culpa às grandes empresas petrolíferas quando elas anunciarem lucros exorbitantes no final de julho. Mas uma solução concreta e duradoura pode levar anos, segundo Paul-Henri Arni, no Le Matin Dimanche.
“Como os iranianos têm mais tempo a seu favor do que o presidente Trump, é improvável que essa guerra termine antes que ele deixe a Casa Branca”, afirma.
- Conflito com o Irã pode se arrastar por anosLink externo – Le Matin Dimanche (francês)
- Preços dos combustíveis inflacionados pelo conflitoLink externo – NZZ (alemão, acesso pago)
- Economia do Irã em ruínasLink externo – Tages Anzeiger (alemão, acesso restrito)
“Atualmente, está sendo feita uma aposta maciça na inteligência artificial nos mercados financeiros”, declara a emissora pública suíça SRF. Os investidores acreditam que a IA é a próxima grande novidade. Mas “há dúvidas legítimas a respeito disso”.
O NZZ também está preocupado com os bilhões que Wall Street está injetando em uma tecnologia ainda não comprovada. O jornal faz uma comparação com as bolhas da internet e do mercado imobiliário no início do milênio.
“Mas, desta vez, tudo é diferente. E provavelmente pior”, afirma. “Que preço acabaremos pagando por nossa euforia no cassino da IA? E será que temos condições de arcar com isso?”
Ambos os veículos de comunicação identificam níveis enormes de endividamento inflando a bolha, que conecta o mercado de títulos, o capital de risco e fontes de financiamento mais opacas. As gigantes tecnológicas dos EUA estão até mesmo se influenciando mutuamente, ao investirem fortunas astronômicas nos projetos de empresas rivais.
“Se a bolha estourar, a economia poderá ficar ocupada por anos com a redução da dívida”, escreve o NZZ.
O pânico nos mercados financeiros poderia ser facilmente desencadeado por resultados corporativos decepcionantes ou pelo fracasso do lançamento de um produto dentro do prazo, alerta a SRF.
“O potencial de uma queda é muito maior hoje do que em 2000 ou 2008. Isso porque o mercado financeiro americano é muito maior e mais complexo agora do que era naquela época. E a riqueza de muitos americanos está depositada lá. E a de muitos estrangeiros também.”
- Os investidores nunca aprendem com a históriaLink externo – NZZ (em alemão, acesso pago)
- Como um pânico no mercado poderia ser desencadeadoLink externo – SRF (em alemão)
A próxima edição de “Notícias dos EUA” será publicada em 23 de julho de 2026. Até lá!
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Adaptação: Alexander Thoele
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