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Suíça mostra multiculturalismo em Cannes

Cartaz do Festival 2011

(SP)

A 64ª edição do Festival de Cannes termina no domingo, 22 de maio. O cinema suíço abriu este ano suas fronteiras na pequena estação balneária francesa.

Entre os filmes propostos na seleção "Quinzaine des réalisateurs", o curta “Nuvem, o Peixe-Lua" do jovem cineasta luso-suíço Basílio da Cunha, e “Corpo Celeste” de Alice Rohrwacher, uma coprodução ítalo-franco-suíça. Visão geral.

A Suíça é um país rico e acolhedor, onde há trabalho em abundância para todos. Durante muito tempo, essa lenda reconfortante alimenta a imaginação de muitos trabalhadores imigrantes europeus, dando origem ao famoso filme do italiano Franco Brusati, Pane e cioccolata (1972), um roteiro de ouro com diversas histórias divertidas.

Sobre o mesmo tema, outros filmes foram lançados desde então: La Traductrice, de Elena Hazanov, e La Forteresse, de Fernand Melgar (para citar apenas os mais recentes). Uma ficção e um documentário que contavam, cada um a sua própria maneira, a chegada de estrangeiros na Suíça e a história de uma difícil integração.

E agora um novo filme intitulado Corpo Celeste realiza o caminho na direção oposta. Começa a partir do cantão do Ticino (sul) e vai para a Itália, mais precisamente a região da Calábria, onde a pequena Marta, 13 anos, chega com sua mãe e irmã, depois de ter passado sua infância na Suíça.

Uma Suíça escondida na memória

O filme se passa em 2010 e começa com a chegada de Marta (Yle Vianello) em Reggio Calabria, de onde saiu depois de seu nascimento, seu pai tendo escolhido ganhar a vida na Suíça. Uma Suíça agora reprimida na cabeça da menina, que deve se liberar do Eldorado suíço para tentar encontrar seu lugar em um “fim do mundo” italiano.

"Houve uma época para os italianos em que países como a Suíça ou a Alemanha eram sinônimos de liberação”, explica Alice Rohrwacher, 28 anos, diretora do filme Corpo Celeste. “Com a globalização econômica, as coisas mudaram: as condições de trabalho são as mesmas em toda a Europa. Conheço muitos italianos que vivem na Suíça desde o início de 1990 que preferem voltar para casa hoje."

Ainda assim, há a diferença social e de mentalidade entre norte e sul. O sul, onde Marta nasceu, mas onde se sente estrangeira. "O filme mostra como se aprende a domar sua própria cultura", diz Alice Rohrwacher, que nasceu na Toscana, filha de pai alemão. “Na Calábria, Marta encontra uma realidade muito diferente da que tinha imaginado. Ela está diante de uma sociedade que quer a todo custo acompanhar a modernidade, mas ao mesmo tempo mantém suas velhas tradições católicas”. É através dos cursos de catecismo que a menina vai aprendendo a se integrar.

Corpo Celeste, coprodução ítalo-franco-suíço, foi apresentado no Festival de Cannes na "Quinzaine des réalisateurs", assim como Nuvem – o Peixe-Lua, um curta-metragem dirigido pelo diretor suíço de origem portuguesa Basil da Cunha, estudante da Haute Ecole d’Art et de Design de Genebra, na seção de cinema.

Uma felicidade fosca

“Nuvem” é o nome do herói, se é que se pode chamar de "herói" um jovem borderline, que mais parece um vagabundo celeste à maneira de Beckett. O filme sacode as referências do espectador com uma sinceridade comovente e uma divertida ingenuidade. O público é levado, assim, a juntar os pedaços de uma vida errante, a de uma nuvem perdida no ar.

O ar aqui é o de uma favela de Lisboa, varrida pelo sopro do oceano.

Nuvem (Nelson Duarte) deixa seu pequeno barco flutuando em busca de um peixe-lua, que ele pretende usar como isca para fisgar a garota que ele ama. Mas antes de ir à pesca, o nosso jovem se perde nos labirintos da favela habitada por pescadores ociosos, jogadores de cartas exaltados, por uma cartomante e um palhaço também, dois baluartes contra uma realidade da qual Nuvem procura fugir com toda sua força.

Filmado com a câmera no ombro, o filme abala sonhos. Alguma coisa flutua em suas cenas. E algo flutua na cabeça desse herói em busca de uma felicidade fosca. Talvez, por causa dessa atmosfera flutuante e surrealista, acabamos nos lembrando um pouco do poeta português Fernando Pessoa. Comentamos isso com Basil da Cunha, que diz se sentir "lisonjeado pela comparação”, mas prefere se dizer inspirado por Pedro Costa, outro cineasta português.

A importância do sonho

Como Pedro Costa, Basil da Cunha escolheu uma maneira de filmar próxima ao documentário, próxima também de uma sociedade marginalizada pela falta de dinheiro, pela cor da pele (os atores, amadores, são cabo-verdianos) e pela cultura (o filme é falado em língua crioula).

Basil da Cunha não quis muito enquadrar seus personagens em papéis pré-fabricados: "Integrei no meu tema e nos meus diálogos uma grande porção de irrealidade. Foi a melhor maneira de superar os problemas sociais. Meu filme não tem nada de uma obra engajada. Não estou defendendo a causa dos pobres e dos vagabundos, só procuro mostrar como o sonho é importante para cada vida.”

Basil Da Cunha

HEAD. Nasceu em 19 de julho de 1985, estuda atualmente está treinando na Escola Superior de Arte e Design, em Genebra (HEAD), seção cinema.

Thera. Realiza vários curtas-metragens, antes de se tornar membro da Association Thera Production.

"A côté". Seu filme anterior, A côté, foi nomeado ao Prêmio do Cinema Suíço de 2010.

Curta. É também o autor de um curta metragem de ficção La loi du Talion (2008).

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Alice Rohrwacher

Toscana. Nesceu na Toscana, 28 anos atrás, de pai alemão e mãe italiana.

Filosofia. Se formou em literatura e filosofia pela Universidade de Turim.

Primeiro.Corpo Celeste é seu primeiro longa-metragem. É coproduzido pela empresa do Ticino “Amka Films”.

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A Suíça e o Festival de Cannes

Desde 1946, Cannes acolhe filmes coproduzidos por cineastas suíços ou empresas suíças. Alguns deles:

Seiler. Em 1963, Alexander J. Seiler recebe a Palma de Ouro de Curtas-Metragens por A fleur d’eau / In wechselndem Gefälle.

Goretta. Em 1973, Claude Goretta recebe o Prêmio Especial do Júri pelo seu longa-metragem L’Invitation.

Maisrecentemente.Le créneau, de Frédéric Mermoud (2007); Home,de Ursula Meier (2008); Film Socialisme, deJean-Luc Godard (2010) e ClevelandcontreWallStreet, de Jean-Stéphane Bron (2010).

Zünd. Além de Nuvem e CorpoCeleste, Cannes acolhe no programa ACID, GoodnightNobody um documentário de Jacqueline Zünd, melhor filme do festival VisionsduReel de Nyon em 2010, o documentário recebeu também um Quartz (ver em “Galerias”) em 2011.

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Adaptação: Fernando Hirschy, swissinfo.ch


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