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Escândalo Rich: Bill Clinton teve apoio suíço

Marc Rich e o prefeito socialista Josef Estermann swissinfo.ch

O último escândalo do ex-presidente Bill Clinton que continua a abalar os Estados Unidos foi ter agraciado Marc Rich, 2 horas antes de sair do cargo. Seis personalidades suíças intervieram em favor do empresário que encontrou refúgio na Suíça em 1983. Na época, ele foi acusado de 65 crimes, inclusive de evasão fiscal da ordem de 48 milhões de dólares...

A revista suíça “L’Hebdo”, publicada em Lausanne, divulgou na quinta-feira, 1° de feveiro, minuciosa reportagem de 3 páginas intitulada: “os 6 suíços que salvaram Marc Rich”.

A revista diz ter tido acesso a “volumoso pedido de graça” enviado à Casa Branca, dia 11 de dezembro. E revela que umas setenta personalidades, inclusive o primeiro-ministro israelense, intervieram em favor do empresário.

Realça também o comprometimento de 6 personalidades suíças, sendo considerado mais grave o caso de Josef Estermann, prefeito socialista de Zurique – a maior cidade suíça e um dos principais centros financeiros da Europa. Na carta, Estermann escreve que Mar Rich é “um cidadão direito, honesto e muito caridoso”.

Cinco outras personalidades suíças, entre as quais banqueiros e catedráticos também pediram a graça para Rich, mas o fato de um socialista intervir é denunciado pela imprensa suíça. Ainda mais que a “malograda saída” de Bill Clinton da presidência vem provocando vagas nos Estados Unidos, onde se anuncia uma CPI, comissão parlamentar de inquérito, para apurar o caso.

Marc Rich, 66 anos, é considerado um “nababo no comércio de matérias-primas”. Mas é acusado da mais importante evasão fiscal na história norte-americana. Nos anos 70, não apenas teria lucrado com a crise do petróleo, como também violado o embargo petroleiro decretado pelos Estados Unidos contra o Irã, por ocasião da crise dos reféns.

Ele fez tudo para evitar a prisão: contratou advogados famosos e suas empresas confessaram crime, pagando multa de 200 milhões de dólares…

Em janeiro, lançou mão de um novo trunfo – escreve o L’Hebdo – solicitar indulto presidencial, sob argumento de era vítima de “zero excessivo de certos procuradores”. A reação de políticos e da opinião pública americana tem sido de que Marc Rich comprou seu perdão.

Em aparente busca de apoio, o empresário vinha mostrando generosidade transbordante. Com seus dons favoreceu na Suíça a investigação científica, ajudou por exemplo, a organização humanitária “Médicos sem Fronteiras”, colaborou na luta contra a tóxicodependência, deu apoio financeiro a clubes esportivos de âmbito local.

Ele foi particularmente generoso em Israel, financiando instalação de judeus russos e etíopes, ofereceu préstimos como mediador entre judeus e palestinos. Sua ex-esposa, Denise, contribuiu com mais de 1 milhão de dólares para o partido democrata e na campanha de Hillary para o senado.

Deve ter tido muito peso também o fato de seu principal advogado, Jack Quinn, ter sido conselheiro de Bill Clinton. “Quinn, escreve L’Hebdo, conhece a Casa Branca na palma da mão”.

Marc Rich nasceu em Antuérpia, Bélgica, em 1934, de família judia. Seus pais refugiaram-se em Nova York em 1941, fugindo do nazismo. Perseguido pela justiça americana, ele se refugia na Suíça que em 1985 não aceita extraditá-lo, sob argumento de que evasão fiscal não é crime no país.

Sua holding Marc Rich & Co, no cantão suíço de Zug – onde se paga menos imposto na Suíça – tem 600 empregados e fatura 8 milhões de francos suíços, quase 5 bilhões de dólares.

Marc Rich naturalizou-se israelense e espanhol. Atualmente está na Espanha e não fala com ninguém. Swissinfo tentou entrevistá-lo. Em vão.

J.Gabriel Barbosa

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