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Frota naval suíça pode entrar em lista de navios de "risco"

O cargueiro "Lausanne", da frota atlântica suíça. DR

Navios de carga com bandeira suíça correm o risco de serem colocados em uma lista "negra" devido à ausência de controles regulares. A solução apresentada pelo governo helvético e dos armadores: mudar temporariamente a bandeira para países menos expostos.

Este conteúdo foi publicado em 17. setembro 2020 - 11:00
Olivier Grivat

Os navios têm nomes que lembram sua origem: "Lavaux", "Romandie", "Moléson", "Lausanne", "Geneva" ou "Aventicum". Todos estão registrados no porto de Basileia, onde nunca irão ancorar devido ao tamanho e tonelagem. Em 2016, a marinha mercante suíça ainda tinha 50 navios de carga administradas por seis armadores. Em menos de quatro anos, o número caiu para 20 e três armadores administram os navios: a empresa "Suisse-Atlantique" em Lausanne; "ABC Maritime", em Nyon (cantão de Vaud) e "Zurich Reederei".

A frota suíça pode desaparecer se o governo federal em Berna e Departamento suíço de Navegação Marítima, sediado na Basileia, não entrarem em ação. "A crise se aprofunda e o desaparecimento definitivo dos navios com a bandeira suíça pode ocorrer até 2023 se não forem tomadas medidas o mais rápido possível", imploraram representantes da Associação dos Armadores Suíços. Sediada em Genebra, ela acaba de publicar um livro simbólico, como S.O.S enviado às autoridades.

A frota de alto-mar acumulou perdas de milhões nos últimos anos devido à queda global do transporte marítimo. No ano passado, um armador na Suíça germanófona viveu sérias dificuldades econômicas. Como seus navios de carga são garantidos pelo Estado - uma garantia que lhe permite tomar emprestado a uma taxa de juros mais favorável de 1 a 2% na construção de um novo navio de carga, em troca da disponibilização dos navios em tempos de crise ou guerra - as autoridades federais confiscaram uma dúzia de navios e colocou-os à venda a um preço abaixo do mercado.

O prejuízo foi de 204 milhões de francos. Em julho passado, o armador de 66 anos de idade foi condenado a cinco anos de detenção. O Tribunal Cantonal de Berna o considerou culpado de gestão fraudulenta.

Fora da "lista negra"

A marinha mercante suíça já viveu outros contratempos, nos quais seus navios terminaram bloqueados em portos europeus. Os acordos internacionais impõem uma série de controles, sem os quais os navios com a bandeira vermelha com a cruz branca podem ser impedidos de atracar.

Entretanto, dado o pequeno tamanho da frota suíça, os controles em portos distantes se tornaram aleatórios. Devido ao baixo número de inspeções realizadas em seus navios nos últimos três anos, a bandeira suíça, atualmente na lista "cinza" da Organização Marítima Internacional, corria o risco de ser transferida para a lista "negra", que inclui bandeiras cujos navios de "risco elevado". Como resultado, as embarcações teriam problemas pelos próximos dois anos em toda a Europa, Rússia e Canadá.

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O Conselho Federal (Poder Executivo) tomou, portanto, uma medida de emergência completamente nova ao alterar uma portaria federal: os navios suíços garantidos com garantia do Estado poderão trocar as bandeiras e optar por outros países. Isto lhes permite evitar as consequências de inclusão na lista negra.

O navio "General Guisan" troca então a bandeira suíça pela bandeira das Ilhas Marshall, que tem a segunda maior frota do mundo depois do Panamá. Operado pelo principal armador, "Suisse-Atlantique", o navio ainda está sendo construído em um estaleiro naval japonês nas Filipinas. "É um símbolo forte", diz Jean-Noël André, presidente da Swiss-Atlantic.

Um segundo cargueiro, o "Nyon", também está sendo construído na ilha filipina de Cebu e deve ser batizado em novembro de 2021. O moderno navio respeita as regras mais restritas de poluição por enxofre e óxidos de nitrogénio (NOx). O navio de 64 mil toneladas navegará sob a bandeira das Ilhas Marshall.

900 navios de armadores sediados na Suíça

"As estatísticas alfandegárias são enganosas. Elas só mencionam o último transportador, mas 90% de tudo o que consumimos vem por mar. É essencial para nossa economia. São dois mil empregos diretos ou 0,4% do PIB", diz Olivier Straub, secretário-geral da Associação dos Armadores Suíços.

A associação recebeu recentemente a adesão da MSC Mediterranean Shipping Company S.A., uma empresa especializada no transporte marítimo de carga conteinerizada. Ela é a número dois do mundo em transporte de contêineres, apenas atrás do Maersk dinamarquesa. Sediada em Genebra desde 1978, a empresa é de propriedade da família Aponte (Itália), operando uma frota de 550 navios.

A Associação de Armadores Suíços, que agora inclui navios não apenas de bandeira suíça, teria hoje mais de 900 navios. Sem acesso direto ao mar, a Suíça ocupa a quinta posição na Europa, e a décima primeira no mundo, em termos de tonelagem, à frente da Noruega, Taiwan e França.

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