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Impressões de um terreiro em Zurique

Os escravos africanos levados ao Brasil por mais de quatro séculos trouxeram consigo também a sua própria religião. Hoje, o Candomblé e a Umbanda fazem parte da riqueza espiritual do país. Graças à imigração, terreiros se instalaram também em países europeus como a Suíça.

Criado pela mãe-de-santo austríaca Iya Habiba, o Terra SagradaLink externo já tem terreiros em Graz, Viena, Berlim, Berna, St. Gallen e Zurique. Os fiéis encontram-se duas vezes por semana nos chamados “Giras”, uma “festa para alegria dos caboclos e caboclas”, como anunciam na sua página na internet.

Thomas Kern participou de um dos seus encontros. Com diversos trabalhos realizados no Haiti ao longo dos anos, o fotógrafo da swissinfo.ch já tinha tido muitas experiências com religiões derivadas do animismo africano. Porém nunca tinha presenciado na Suíça grupos praticantes de Candomblé e a Umbanda.

Visitar o terreiro de Iya Habiba foi uma experiência interessante. Primeiramente, lhe chamou atenção o fato de o grupo encontrar-se em uma sala de um centro municipal. Esses espaços sóbrios, cedidos pelas prefeituras para reuniões de corais, clubes associativos ou partidos, estão longe de lembrar a exuberância que encontrava nos terreiros de vodu haitiano.

Durante duas horas e meias, a mãe-de-santo Iya Habiba organizou os trabalhos do terreiro em Zurique. Muitos fiéis são migrantes brasileiros, porém também há suíços e outros estrangeiros. A cerimônia envolve música de tambores e muitos cantos. No piso são marcados os chamados “pontos riscados”, uma tradição da Umbanda, ou espalhados as ervas sagradas, a “ewe”.

Para os fiéis, os espíritos estão presentes nesse momento de devoção. Tão distantes do Brasil, mas próximos das suas crenças. O passaporte não importa: mas sim a fé. Depois da “gira”, o salão é limpo e devolvido. Provavelmente no dia seguinte, um coro suíço estará no espaço ensaiando algumas canções alpinas. 

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SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR

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