The Swiss voice in the world since 1935

Irã anuncia fechamento do Estreito de Ormuz em resposta ao bloqueio de seus portos

afp_tickers

O Irã anunciou neste sábado (18) que voltou a fechar o Estreito de Ormuz, poucas horas após a reabertura da via, em resposta à decisão dos Estados Unidos de manter o bloqueio aos seus portos. 

A agência britânica de segurança marítima UKMTO relatou possíveis ataques contra dois navios na passagem estratégica, onde várias embarcações que pareciam prestes a atravessar a via mudaram de rota.

A República Islâmica havia “aceitado de boa-fé autorizar a passagem de um número limitado de petroleiros e navios comerciais” pelo estreito, mas decidiu retomar o controle diante dos “atos de pirataria amparados no chamado bloqueio” americano, anunciou no início da manhã o comando central das Forças Armadas iranianas. 

“Os americanos não podem impor a sua vontade e deixar o Irã sob sítio”, declarou o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Saed Khatibzadeh. 

O guia supremo Mojtaba Khamenei afirmou que a Marinha iraniana está preparada para infligir “novas derrotas” ao inimigo. 

Por sua vez, o presidente americano, Donald Trump, advertiu que o Irã não pode “chantagear” Washington com suas mudanças de postura sobre o Estreito de Ormuz.

“Estamos conversando com eles. Eles queriam fechar o estreito de novo – vocês sabem, como vêm fazendo há anos – e não podem nos chantagear”, disse Trump em um evento na Casa Branca.

O novo fechamento acontece no momento em que diversas peças diplomáticas se movimentam para tentar acabar com a guerra no Oriente Médio, com um acordo que vá além do cessar-fogo de duas semanas entre Irã e Estados Unidos que entrou em vigor em 8 de abril  e termina na próxima quarta-feira.

– 23 navios bloqueados –

Durante a breve reabertura do estreito, pelo menos oito petroleiros e metaneiros atravessaram a passagem na madrugada de sábado, segundo dados da empresa de rastreamento marítimo Kpler. 

O site MarineTraffic mostrava mais de 10 navios na região, incluindo petroleiros, mas alguns pareciam ter feito meia-volta.

Após o anúncio iraniano da reabertura do estreito, Trump afirmou que o bloqueio americano aos portos iranianos prosseguiria “totalmente em vigor” até o fim das negociações.

“Desde o início do bloqueio, 23 navios acataram as ordens das forças americanas de dar meia-volta e retornar ao Irã”, anunciou neste sábado o Comando Central dos Estados Unidos em um balanço atualizado. 

A retomada do tráfego em Ormuz, por onde passava 20% do comércio mundial de hidrocarbonetos antes da guerra, havia sido bem recebida nas Bolsas e provocou uma forte queda nos preços do petróleo.

– Trump “fala muito” –

A reabertura do Estreito de Ormuz na sexta-feira e a trégua do conflito no Líbano iniciada algumas horas antes pareciam liberar as negociações para um acordo de paz entre Washington e Teerã.

Na sexta-feira, Trump disse à AFP que um acordo de paz estava “muito próximo” e afirmou que o Irã havia aceitado entregar seu urânio enriquecido, um ponto crucial das negociações. 

O Irã, no entanto, negou ter aceitado a transferência das reservas de urânio enriquecido. 

“A parte americana tuíta muito, fala muito. Às vezes é confuso, às vezes, vocês sabem, contraditório”, declarou o vice-chanceler Khatibzadeh. 

Os esforços diplomáticos prosseguem. O comandante do Exército do Paquistão, país mediador entre Washington e Teerã, concluiu na sexta-feira uma viagem ao Irã. 

Durante a viagem, o marechal Asim Munir entregou às autoridades iranianas “novas propostas” americanas, segundo o Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano.

“A República Islâmica do Irã está analisando as propostas e ainda não respondeu”, acrescentou. Mas a delegação negociadora “não fará a mínima concessão” e “defenderá com toda sua força os interesses da nação iraniana”, afirmou o Conselho Supremo.

Islamabad recebeu na semana passada as primeiras negociações entre Washington e Teerã. O encontro terminou sem acordo e ainda não há data para uma segunda rodada, segundo Khatibzadeh.

– “Não nos sentimos seguros” –

No Líbano, a outra frente de batalha da guerra, o Exército israelense anunciou que estabeleceu uma “linha amarela” de demarcação no sul do país, assim como em Gaza, e que atacou suspeitos que se aproximaram da marca. 

O Exército israelense continua mobilizado no país em uma faixa de 10 quilômetros de profundidade a partir da fronteira, à espera das negociações que permitam um acordo permanente entre Líbano e Israel, países em estado de guerra desde 1948. 

Um cessar-fogo está em vigor desde sexta-feira entre Israel e o movimento pró-iraniano Hezbollah, após um mês e meio de conflito que deixou quase 2.300 mortos no lado libanês. 

Contudo, o presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou neste sábado que um soldado do país morreu e três ficaram feridos em um ataque contra capacetes azuis da ONU no Líbano. 

Macron e a missão da ONU no Líbano acusaram o Hezbollah, mas o movimento negou qualquer envolvimento.

Além dos milhares de mortos e feridos, o conflito deixou mais de um milhão de pessoas deslocadas e muitas começaram a voltar para suas casas no sul do país ou nos subúrbios do sul de Beirute, reduto do Hezbollah.

“Não nos sentimos seguros, estou sempre com medo de que aconteça alguma coisa durante a noite sem que eu consiga pegar meus filhos e fugir com eles”, disse Samah Hjoul, mãe de quatro filhos que vive atualmente em uma barraca no calçadão da capital.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, advertiu que seu país “ainda não terminou” a missão de obter o desarmamento do Hezbollah.

Donald Trump, que obteve a trégua de 10 dias, endureceu o tom e afirmou que Israel estava “proibido” de bombardear o Líbano.

burs/dc/amj/lb/ahg/meb/hgs/dbh/fp

Mais lidos

Os mais discutidos

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR