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Líderes progressistas se reúnem em Barcelona para ‘proteger’ a democracia

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O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, pediu a proteção da democracia diante dos “ataques ao sistema multilateral” em uma reunião em Barcelona de líderes internacionais de esquerda, junto aos mandatários do Brasil, Colômbia e México.

“O contexto é claro, a democracia não pode ser dada como garantida”, afirmou Sánchez durante o discurso de abertura da IV Reunião em Defesa da Democracia.

“Vemos ataques ao sistema multilateral, uma tentativa após outra de contestar as regras do direito internacional e uma perigosa normalização do uso da força”, lamentou.

O governante socialista espanhol reuniu em Barcelona dirigentes internacionais como Luiz Inácio Lula da Silva, a mexicana Claudia Sheinbaum, o sul-africano Cyril Ramaphosa e o colombiano Gustavo Petro.

Embora vários deles tenham manifestado divergências públicas com as políticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insistiram em afirmar que o encontro não pretendia ser uma cúpula anti-Trump.

“É uma cúpula por uma alternativa no mundo (…), não contra”, defendeu o presidente colombiano, Gustavo Petro.

“Trata-se de uma espécie de farol que, em meio à confusão, ao erro e à desordem global perigosa para toda a humanidade, estabelece uma linha, uma espécie de seta que segue um rumo, o rumo da vida, não o rumo da morte”, indicou.

– Reaproximação México-Espanha –

A cúpula é a quarta edição deste fórum impulsionado em 2024 por Brasil e Espanha. Desta vez, coincidiu com uma reunião de líderes e simpatizantes da extrema direita europeia em Milão.

O chefe do governo espanhol assegurou que os participantes em Barcelona estão dispostos a “fazer o que for necessário para proteger e fortalecer o sistema democrático”.

Mas “não basta resistir, temos que propor”, acrescentou Sánchez, que considerou que chegou o momento de que a ONU “seja renovada, reformada” e “dirigida por uma mulher”.

A reunião também permitiu simbolizar a reaproximação nas relações entre Espanha e México, cuja presidente viajou pela primeira vez à Europa desde que assumiu o cargo em outubro de 2024.

Sua presença representou um passo importante na melhora das relações bilaterais, tensionadas pela exigência mexicana de desculpas pela conquista espanhola da América.

Após os recentes atritos diplomáticos, ambos os governos fizeram gestos de distensão, e o rei Felipe VI reconheceu em março que houve abusos durante a conquista.

“Não há crise diplomática, nunca houve. O que é muito importante é que se reconheça a força dos povos originários para nossa pátria”, afirmou Sheinbaum antes da reunião.

A líder mexicana também propôs que o fórum adotasse “uma declaração contra a intervenção militar em Cuba”, com a qual Donald Trump ameaçou.

– “Não à guerra” –

O encontro ocorreu em paralelo com o Global Progressive Mobilisation (GPM), uma reunião de forças e movimentos de esquerda que terminou no sábado em Barcelona.

O encerramento do evento — do qual participou o governador de Minnesota, Tim Walz, e no qual foram exibidos vídeos do prefeito de Nova York, Zohran Mamdani — ficou a cargo de Sánchez e Lula, que voltou a pedir reformas dentro das Nações Unidas.

“É preciso restabelecer a credibilidade da ONU, que foi corroída pela irresponsabilidade dos membros permanentes”, afirmou o presidente brasileiro.

Sob aplausos dos militantes que lotavam o local, Lula pediu a esses países com assento permanente no Conselho de Segurança que “cumpram suas obrigações de garantir a paz no mundo”.

Em seu discurso final, Sánchez voltou a entoar o “não à guerra”, que vem repetindo desde o início do conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.

Essa postura provocou críticas de Trump, mas consolidou o líder espanhol como uma das vozes mais críticas a ele na Europa.

Nas últimas horas, o presidente dos Estados Unidos voltou a criticar a Espanha, à qual voltou a reprovar sua recusa em aumentar os gastos com defesa e classificou seus números econômicos como “horríveis”.

rs-al/meb/fp/am

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