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Lula promete defender o Brasil das tarifas de Trump

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta quinta-feira (3), que o Brasil tomará “todas as medidas cabíveis” para se defender das novas tarifas de 10% anunciadas por seu homólogo americano, Donald Trump. 

Trump assinou um decreto na quarta-feira no qual impõe tarifas de 10% sobre as importações de vários países, incluindo as brasileiras, na maior ofensiva protecionista dos Estados Unidos desde a década de 1930.

“Diante da decisão dos Estados Unidos de impor uma sobretaxa aos produtos brasileiros, tomaremos todas as medidas cabíveis para defender nossas empresas e nossos trabalhadores”, declarou Lula durante um evento em Brasília.

“Defendemos o multilateralismo e o livre comércio e responderemos a qualquer tentativa de impor um protecionismo que não cabe mais hoje no mundo”, acrescentou.

Lula disse que a resposta do Brasil será baseada na “Lei da Reciprocidade Econômica”, aprovada na quarta-feira pela Câmara dos Deputados, assim como nas “diretivas da Organização Mundial do Comércio”.

A nova legislação, adotada por unanimidade, permitirá ao governo implementar “contramedidas” para responder a “ações, políticas ou práticas unilaterais de país ou bloco econômico que impactem negativamente a competitividade internacional brasileira”, diz o texto aprovado.

A legislação autoriza o governo a suspender concessões comerciais, investimentos e obrigações relacionadas a direitos de propriedade intelectual.

No entanto, o Brasil, maior economia da América Latina, é uma das menos afetadas pelas novas tarifas anunciadas por Trump, que impôs uma taxa de 20% sobre as importações da União Europeia e outra de 34% sobre a China, entre outros impostos mais altos.

“Em termos relativos, a gente teve um ganho. Vamos supor que tem um produto que o Brasil exporta e o Vietnã exporta, por exemplo, para os Estados Unidos. O nosso ficou mais barato”, disse o economista André Perfeito à AFP.

A nova situação “abriu um monte de possibilidade para o Brasil exportar para outros países”, especialmente produtos agrícolas, acrescentou, nos quais o Brasil é uma potência mundial.

Segundo o economista, o governo brasileiro primeiro “vai deixar o Itamaraty negociar” com os Estados Unidos e “não precisa retaliar agora”.

Brasília mantém negociações com Washington sobre as tarifas. Na quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, falou por telefone com o representante do Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, de acordo com o Itamaraty.

Enquanto a maioria dos mercados de ações do mundo despencou na quarta-feira, a Bolsa de Valores de São Paulo abriu em leve alta e permaneceu estável (0,01%) ao meio-dia.

O governo Trump implementou tarifas de 25% sobre as importações de aço e alumínio desde 12 de março, que afetaram diretamente o Brasil, o segundo maior fornecedor de aço para os Estados Unidos.

Segundo dados citados em nota do governo Lula, o superávit comercial dos Estados Unidos com o Brasil é o “terceiro maior” já registrado pela maior potência mundial e somou US$ 28,6 bilhões no ano passado (cerca de 177 bilhões de reais, na cotação da época), incluindo bens e serviços.

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