Salários estagnados e saúde mais cara pressionam trabalhadores na Suíça
Os sindicatos suíços reivindicam aumentos salariais de 2%, em média, para 2027, mas defendem reajustes maiores em setores como a saúde. Segundo a Travail.Suisse, anos de estagnação dos salários, combinados com a inflação e o aumento das mensalidades dos planos de saúde, reduziram o poder de compra das famílias.
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A reivindicação de 2% é uma média e varia conforme o setor. Na área da saúde, por exemplo, o sindicato Syna, ligado à Travail.Suisse, pede aumentos de 5% a 6%. A entidade afirma que anos de baixo crescimento dos salários provocaram uma forte perda de poder de compra.
Segundo Thomas Bauer, responsável pela política econômica da Travail.Suisse, os salários reais estão estagnados há cerca de uma década. Ao mesmo tempo, o custo de vida aumentou, pressionando ainda mais o orçamento das famílias.
Planos de saúde pesam no orçamento
As mensalidades do seguro de saúde obrigatório, que não entram no cálculo da inflação, representam uma das principais despesas adicionais para as famílias suíças. Considerando tanto a inflação quanto o aumento das mensalidades, o poder de compra das famílias de renda média teria caído entre 1,5% e 1,9% de 2022 até o fim de 2026, segundo a Travail.Suisse.
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Planos de saúde disparam e preocupam suíços
A organização também aponta uma diferença crescente entre salários e produtividade. De acordo com seus cálculos, a produtividade aumentou, em média, 1,4% ao ano entre 2017 e 2026, enquanto os salários reais não acompanharam o mesmo ritmo.
“O valor agregado é baseado no trabalho. E, se o valor agregado por hora trabalhada aumenta, isso também deve beneficiar aqueles que o geraram”, afirmou Bauer. Para a entidade, os ganhos decorrentes do aumento da produtividade têm beneficiado principalmente o capital, e não os trabalhadores.
Empresários contestam análise
A União Patronal Suíça (UPS) rejeita a avaliação dos sindicatos e considera que ela não leva suficientemente em conta uma economia marcada por crescimento fraco e maior incerteza geopolítica. Para os empregadores, a prioridade deve ser preservar os postos de trabalho.
A entidade também contesta a afirmação de que as empresas teriam ficado com os ganhos de produtividade em detrimento dos trabalhadores. Segundo a UPS, os sindicatos utilizam uma medida inadequada para avaliar a evolução dos salários.
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Salários suíços: altos, estáveis, mas muitas vezes insuficientes
Na avaliação dos empregadores, a remuneração total dos trabalhadores por hora é uma base de comparação mais apropriada. Por esse critério, os salários reais teriam crescido pelo menos tanto quanto a produtividade desde 2014.
A UPS afirma ainda que o índice salarial suíço usado pelos sindicatos subestima sistematicamente o crescimento efetivo dos rendimentos, pois não considera promoções nem a mudança dos trabalhadores para cargos mais bem remunerados.
Custo dos planos de saúde vira ponto de disputa
Os dois lados concordam que o aumento das mensalidades dos planos de saúde pesa sobre as famílias, mas chegam a conclusões diferentes sobre como enfrentar o problema.
A UPS cita 2025 como exemplo: naquele ano, a renda disponível teria aumentado em CHF 48 por pessoa por mês, enquanto o aumento líquido das mensalidades dos planos de saúde consumiu CHF 12 desse ganho. Ainda assim, segundo os empregadores, restaram CHF 36 mensais de aumento na renda disponível.
Para a Travail.Suisse, porém, a alta das mensalidades reforça a necessidade de aumentos salariais significativos. Os empregadores defendem outra abordagem: reduzir os custos do sistema de saúde para aliviar a pressão sobre os orçamentos familiares.
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Salários na Suíça
Adaptação: Fernando Hirschy
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