Movimento de protesto no Irã arrefece diante de repressão ‘brutal’
A intensidade dos protestos contra o sistema teocrático do Irã diminuiu após uma repressão brutal com milhares de mortos e em meio a um apagão da internet, afirmaram organizações de monitoramento nesta sexta-feira (16).
Reza Pahlavi, filho do falecido xá do Irã Mohamad Reza Pahlavi, declarou que acredita na queda da República Islâmica e pediu uma intervenção estrangeira. Mas a ameaça de uma ação militar por parte dos Estados Unidos, até o momento, parece ter diminuído.
Nas redes sociais, Reza Pahlavi anunciou uma manifestação coordenada para a noite deste sábado e pediu aos iranianos que “levantem suas vozes com ira”.
A mobilização começou em 28 de dezembro em Teerã para protestar contra o custo de vida, e se espalhou para outras cidades com a exigência da queda do sistema clerical governante desde a revolução de 1979.
Os iranianos começaram a se mobilizar em grandes cidades no dia 8 de janeiro, mas as autoridades impuseram imediatamente um bloqueio da internet que, segundo ativistas, buscou ocultar a dimensão da repressão.
A “brutal” opressão “provavelmente sufocou o movimento de protesto por enquanto”, avalia o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW, na sigla em inglês), com sede nos Estados Unidos, que acompanha as manifestações.
“No entanto, a mobilização generalizada das forças de segurança […] é insustentável, o que torna possível a retomada dos protestos”, acrescentou.
Reza Pahlavi declarou em uma coletiva de imprensa em Washington que “a República Islâmica vai cair, não é uma questão de se, mas de quando”.
“Voltarei ao Irã”, disse ele, que vive exilado nos Estados Unidos desde que a revolução islâmica de 1979 depôs seu pai.
A ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, contabiliza ao menos 3.428 manifestantes mortos pelas forças de segurança.
Outras estimativas situam o número de mortos em mais de 5 mil, e possivelmente até 20 mil, uma vez que o bloqueio da internet dificulta uma comprovação independente, segundo a IHR.
O canal de oposição Iran International, que opera fora do país, afirmou que pelo menos 12 mil pessoas morreram durante os protestos, citando fontes governamentais e de segurança de alto nível.
O diretor da IHR, Mahmood Amiry-Moghaddam, mencionou “relatos horripilantes” sobre “manifestantes mortos a tiros enquanto tentavam fugir, o uso de armas de guerra e a execução em plena rua de manifestantes feridos”.
– Dar ‘uma oportunidade’ ao Irã –
Os iranianos estão sem internet há mais de 180 horas, mais que durante as manifestações maciças de 2019, destacou a ONG de monitoramento de cibersegurança Netblocks.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que apoiou e se juntou à guerra de 12 dias de Israel contra o Irã em junho, não descartou uma nova ação militar contra Teerã e deixou claro que estava muito atento a execuções de manifestantes.
No entanto, um alto funcionário da Arábia Saudita declarou na quinta-feira à AFP que seu país, Catar e Omã “realizaram intensos esforços diplomáticos de última hora” para convencer Trump a dar ao Irã “a oportunidade de demonstrar suas boas intenções”.
Washington parece ter dado um passo atrás, mas a Casa Branca afirma que “todas as opções seguem sobre a mesa”.
A atenção centrou-se no destino de um manifestante de 26 anos, chamado Erfan Soltani, que, segundo ativistas dos direitos humanos e Washington, seria executado na quarta-feira.
A Justiça iraniana confirmou que Soltani estava detido, mas afirmou que ele não havia sido condenado à morte.
Grupos de direitos humanos estimam que aproximadamente 20 mil pessoas foram detidas no país. Segundo a agência de notícias Tasnim, fontes de segurança afirmaram nesta sexta-feira que haviam prendido cerca de 3 mil pessoas.
– ‘Todos os iranianos estão unidos’ –
O presidente russo Vladimir Putin falou por telefone nesta sexta-feira com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, e com seu homólogo iraniano Masoud Pezeshkian, para “facilitar a redução da tensão”, anunciou o Kremlin.
A Casa Branca confirmou que Trump também falou com Netanyahu, que, segundo o jornal New York Times, pediu que ele não intervenha militarmente.
A Agência Europeia para a Segurança da Aviação (AESA) recomendou nesta sexta que se evite o espaço aéreo iraniano diante da situação.
No Conselho de Segurança da ONU, em Nova York, a jornalista iraniano-americana Masih Alinejad afirmou que “todos os iranianos estão unidos” contra o sistema clerical no Irã.
O representante iraniano na reunião, Gholamhossein Darzi, acusou Washington de “se aproveitar dos protestos pacíficos com fins geopolíticos”.
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