Imprensa suíça destaca suposta agressão a brasileira
Depois do primeiro comunicado divulgado quinta-feira pela polícia de Zurique, os jornais suíços passaram a noticiar a suposta agressão, supostamente por skinheads.
As reações vão da prudência às denúncias de crime racista.
O popular Le Matin de Lausanne, traz a foto do ventre da vítima, também amplamente divulgada na imprensa brasileira, com a manchete “Torturada, ela perde suas gêmeas”.
Nas duas páginas internas da reportagem, com muito espaço para as fotos, o jornal publica a reconstituição feita pela Rede Globo e fala de “crime racista”. O artigo relata os fatos, diz que o Consulado Brasileiro em Zurique foi “tomado de assalto por jornalistas brasileiros” e publica duas interessantes reações de dois deputados federais e membros eminentes da SVP, o grande partido cujas iniciais em alemão foram talhadas no corpo da vítima brasileira.
Escalada do horror
Ivan Perrin, ex-policial e vice-presidente nacional da SVP, afirma que “em minha carreira, vi muitos casos que pareciam claros inicialmente e que se tornaram muito menos claros depois de investigados; a versão da vítima nem sempre corresponde à realidade e é preciso verificar. Agora, se essa agressão ocorreu como foi descrita, é sinal que chegamos a um novo patamar do horror.”
O também deputado federal Oskar Freisinger, afirma que “não há skinheads na SVP. Os novos membros são filtrados e seus nomes divulgados para saber se não há denúncia contra eles. Se esses agressores tiverem a carteira do partido, serão imediatamente expulsos”, explica. Ele acrescenta que “a perda dos fetos dá uma dimensão maior ao horror; se essa agressão se confirma, ela é terrivelmente grave.”
Em tom mais prudente, o Le Temps de Genebra traz um longo artigo na página 8, com a anchete: “Marcada à faca com as iniciais da SVP, a misteriosa agressão que emociona o Brasil.” O artigo descreve os fatos, fala da indignação da família de PVO, do comunicado que a polícia de Zurique divulgou quinta-feira (12) e da reunião de ontem em Brasília entre diplomatas suíços e brasileiros. O jornal também questionou o secretariado do SVP, que declara esperar a conclusão das investigações antes de se pronunciar.
Mais prudentes
Na parte alemã da Suíça, os jornais também noticiam o ocorrido com a vítima brasileira. O jornal mais reconhecido do país, NZZ.ch, publica uma reportagem que reflete o tom de distanciamento com que o caso vem sendo tratado pela imprensa helvética. “Meios de comunicação brasileiros sugerem que o ataque foi executado com um fundo racista. A polícia aparentemente não descarta que a mulher se feriu”, afirma o jornal de Zurique.
Também o Tagesanzeiger.ch, segundo maior jornal do país, continua cauteloso. “Ataque neonazista: o que realmente aconteceu?”, questiona. “A polícia confirma que encontrou na segunda-feira à noite na estação ferroviária de Stettbach uma mulher com ferimentos por corte. Como isso aconteceu ainda não está claro.” O jornal publica um vídeo em que a Rede Globo faz a reconstituição do caso e dá uma alfinetada: “Assim a televisão brasileira viu o ataque. A polícia, porém, continua tateando no escuro”.
A polícia de Zurique diz que “investiga em todas as direções” e faz um apelo para que possíveis testemunhas do crime se manifestam pelo telefone 0 444 117 117. Para a tarde desta sexta-feira, 13, está anunciada uma coletiva da polícia à imprensa
swissinfo, Claudinê Gonçalves e Geraldo Hoffmann
A comuna de Dübendorf, onde PVO tem residência, pertence hoje à região urbana de Zurique e se autodenomina “cidade”. Ela está localizada 6 km ao leste do centro de Zurique e tem uma área de 1.361 hectares.
No total, sua população é de 23.770 pessoas, das quais 25,8% são estrangeiros. Cerca de 13 mil pessoas estão empregadas nas suas indústrias, no comércio e em empresas do setor de serviços.
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