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Suíça como mensageiro diplomático

A Suíça medeia a comunicação entre EUA e Irã

Cortejo fúnebre dos caixões de Qasem Soleimani e das outras vítimas do ataque de drone americano no Iraque; milhares de pessoas encheram a praça da Revolução Islâmica (Enqelab-e-Eslami) em Teerã na segunda-feira Keystone

Com o aumento das tensões entre os Estados Unidos e o Irã, o papel da Suíça como intermediária entre os dois países voltou aos holofotes. Mas por que a Suíça neutra está se envolvendo nesse imbroglio?

Este conteúdo foi publicado em 09. janeiro 2020 - 10:52
swissinfo.ch

No domingo, o enviado suíço representando os interesses americanos em Teerã foi convocado pelas autoridades iranianas em protesto contra as ameaças feitas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, no Twitter. Trump disse que os EUA estariam mirando não só alvos estratégicos como também sítios históricos e culturais iranianos caso Teerã atacasse cidadãos ou bens americanos em retaliação pelo assassinato do comandante militar Qasem Soleimani.

O Irã ameaçou vingança depois que os EUA confirmaram na sexta-feira que Trump havia ordenado o ataque contra o chefe da força de elite iraniana Quds.

O Ministério das Relações Exteriores suíço confirmou que foi realizada uma reunião "sob o mandato de poder protetor", reiterando que o conteúdo da discussão era "confidencial".

A Suíça tem exercido um mandato de poder protetorLink externo para os EUA no Irã desde 1980. Washington rompeu relações com Teerã em 1980 por causa da crise dos reféns que manteve 52 diplomatas e cidadãos americanos presos em sua embaixada no Irã por 444 dias.

Kai Reusser / swissinfo.ch

 

O que é um mandato de poder protetor?

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"Quando dois países declaram guerra um contra o outro, a primeira coisa que fazem é romper as relações diplomáticas. É a coisa mais tola que podem fazer - mas é o que sempre acontece", disse Philippe WeltiLink externo, ex-embaixador suíço no Irã (aposentado), à swissinfo.ch em 2013.

"Assim que dois países rompem as relações diplomáticas, a necessidade de cuidar das relações torna-se mais urgente, já que você não está fazendo isso por si só. É preciso um terceiro para fazê-lo e como a Suíça não foi parte em nenhuma das batalhas dos anos 40, considerou-se então particularmente apropriado pedir aos suíços que cuidassem de vários interesses".

Este ainda é o caso, explica o Ministério das Relações Exteriores. "A Suíça pode construir pontes onde outros são impedidos de o fazer, porque não pertence a nenhum bloco de poder e não segue uma agenda oculta".

Essa construção de pontes assume a forma de “bons ofícios”Link externo (ou bons serviços) e de mandatos de proteção do poder, que o ministério diz que "se refere a todas as iniciativas diplomáticas e humanitárias de um terceiro país ou de uma instituição neutra, cujo objetivo é resolver um conflito bilateral ou internacional ou trazer as partes à mesa de negociações".

Na prática, isto significa ser um canal de comunicação, ou seja, um mensageiro. Welti disse que três condições eram necessárias para o sucesso. "Tem que funcionar tecnicamente, ou seja, as mensagens devem passar sem entraves a qualquer hora do dia e da noite. Também tem de ser completamente confidencial. E tem de ser completamente imparcial e leal à mensagem - porque quando trata-se de uma mensagem oral há sempre o potencial para que o terceiro a possa mudar. Nada de mim deveria estar na mensagem".

Longa tradição

O "período dourado" para os chamados mandatos de poder protetor foi durante a Segunda Guerra Mundial: por volta de 1943-44, a Suíça estava fazendo malabarismos com 219 mandatos para 35 estados.

A Guerra Fria também resultou na demanda por serviços suíços, com 24 mandatos realizados em 1973. Desde então, porém, o número de mandatos caiu para seis: Irã no Egito, EUA no Irã, Rússia na Geórgia, Geórgia na Rússia, Irã na Arábia Saudita, e Arábia Saudita no Irã.

A Suíça pode oferecer-se para agir como intermediário por iniciativa própria ou pode cumprir esta função a pedido das partes envolvidas, desde que todas elas concordem.


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