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Quando a Suíça quase caiu no controle total

Uma das notórias "fichas de segurança", onde agentes do Estado anotavam informações sobre supostos inimigos ou espiões. O tipo de informação recolhida era completamente inutilizável para a avaliação de inteligência. Edi Engeler / Keystone

Foi o maior escândalo político ocorrido na Suíça do pós-guerra: o chamado "Caso das Fichas", em 1989. Trinta anos depois, lembramos como forças de segurança quase chegaram a construir um Estado de controle total. 

Este conteúdo foi publicado em 26. novembro 2019 - 15:00

Como foi descoberto?

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Em março de 1988, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (GPK, na sigla em alemão) do Parlamento suíço descobriu a existência de um programa de monitoramento dos cidadãos em larga escala. Nos arquivos dos órgãos de vigilância do Estado, mantidos desde 1900, foram encontradas 900 mil pastas, chamadas "Fichen". Elas continham informações recolhidas de suíços e estrangeiros até em suas próprias residências.

Quem era espionado?

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Eram cidadãos comuns, suíços ou estrangeiros, que, por serem suspeitos de atividades anarquistas, socialistas, comunistas e nazistas, eram espionados. As operações estavam ativas desde a II. Guerra Mundial. 

Durante o período da Guerra Fria, as autoridades perseguiram todas as pessoas e grupos considerados "subversivos", especialmente ligados à esquerda ou imigrantes. Alguns eram vistos como "revolucionários" e "agentes comunistas". Até mesmo pessoas consideradas "moderadas" podiam ser espionadas. Contatos pessoais com estrangeiros que viviam nos países da Cortina de Ferro já bastavam para colocar um cidadão na mira dos espiões.

O que aconteceu a seguir?

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Milhares de vítimas exigiram o direito de ver a sua ficha pessoal nos arquivos da Polícia Federal. A primeira visualização revelava, porém, apenas passagens riscadas ou cobertas de tinta para esconder nomes de informantes ou informações intimidas. Porém as pessoas observadas descobriram erros ou afirmações levianas. 

Como foi a reação popular?

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Muitos cidadãos ficaram horrorizados. A crise de confiança atingiu meios políticos e sociais.

Como reagiu a política?

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O Parlamento, a mais alta instituição política do país, reagiu com rapidez e coerência e definiu as condições em que os detalhes do programa de vigilância seriam revelados ao público.

Como foi desencadeado o escândalo?

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Foi através do chamado "Caso Kopp". Em 12 de dezembro de 1988, a ministra Elisabeth Kopp, a primeira mulher a fazer parte do Conselho Federal (o corpo de sete ministros que governa o país), havia anunciado sua demissão. Pouco antes a mídia helvética revelou que a então ministra da Justiça e da Polícia havia dado um telefonema para o marido, membro do conselho de administração de uma empresa que estava sob suspeita de lavagem de dinheiro. Kopp soube da investigação e queria alertar o marido.

O Parlamento suíço abriu um inquérito (PUK), na qual deputados e senadores envolvidos tinham todos os direitos de acesso a arquivos governamentais. 

O relatório "PUK"

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Os parlamentares envolvidos na investigação acabaram descobrindo um arquivo secreto. O relatório foi publicado em 22 de novembro de 1989.

Nele estava escrito que agentes públicos haviam espionados supostos "esquerdistas", "alternativos", "ecológicos", "não-conformistas", membros do movimento de mulheres, paz e combate à energia nuclear, ativistas pelos países em desenvolvimentos, mediadores nas áreas de migração e até grupos religiosos. Muitas das pessoas espionadas perderam seus empregos, lares e até a existência. 

Dois terços das fichas continham informações recolhidas de estrangeiros residentes na Suíça. Uma análise acurada do material mostra que os espiões e observadores trabalhavam de uma forma amadora. Grande parte das informações recolhidas não tinham nenhum valor para os círculos de inteligência. 

Quais as consequências?

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O trabalho minucioso da Comissão Parlamentar de Inquérito foi aclamado por todos os setores da sociedade e o escândalo foi encerrado com a aplicação de diversas medidas para evitar que o erro se repetisse.

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