Populistas triunfam em Genebra
O populista Movimento dos Cidadãos Genebrinos (MCG) provoca um pequeno terremoto político na segunda maior cidade suíça e dobra o número de seus deputados estaduais.
Seu avanço é atribuído ao voto de protesto contra os partidos tradicionais e a uma agressiva campanha contra os franceses que cruzam a fronteira para trabalhar em Genebra.
O resultado das eleições ao Grande Conselho (Legislativo estadual) de Genebra é destaque nos principais jornais suíços, nesta segunda-feira (12/9). O MCG obteve 15,2% e aumentou seu número de deputados de 8 para 17.
O triunfo do MCG surpreendeu muitos observadores, mas o presidente do movimento, Eric Stauffer, deu uma explicação simples: “Foi uma resposta clara dos eleitores genebrinos à classe política”, disse.
Durante muito tempo, esse tipo de argumento foi usado pela União Democrática de Centro (UDC), da qual o MCG se separou em 2005. “Agora o MCG ultrapassou o partido-mãe pela direita e ocupou um tema clássico da UDC: o medo do estrangeiro”, escreve o NZZ.
O MCG fez uma campanha agressiva contra os 60 mil franceses que diariamente atravessam a fronteira para trabalhar em Genebra. O resultado foi uma “maré alta contra os frontaliers”, como escreve o Le Temps, principal jornal da parte francesa da Suíça. Só o Partido Liberal ainda é mais forte.
O cantão de Genebra tem 103 quilômetros de fronteira com a França. Segundo o Le Temps, os trabalhadores estrangeiros fronteiriços contribuem com 600 milhões de francos líquidos por ano aos cofres estaduais.
Partidos tradicionais perdem
O Partido Democrático Cristão (PDC) e o Partido Radical perderam cada qual uma cadeira e ficaram respectivamente com 11 deputados cada. A UDC, que também publicou um anúncio em jornal contra os trabalhadores franceses, ficou com nove cadeiras (-2).
Na esquerda, pela primeira vez em um Parlamento estadual suíço, o Partido Socialista, com 15 deputados eleitos (-2), foi superado pelos verdes, que conquistaram 17 cadeiras, número igual ao do MCG.
Não é a primeira vez que a cosmopolita e humanista Genebra serve de terreno fértil ao populismo de direita. De 1964 a 1990, o movimento Vigilants fez política contra a presença dos estrangeiros e das organizações internacionais na cidade.
Segundo o NZZ, também não é novidade que os genebrinos, de tempos em tempos, se revoltem contra os partidos estabelecidos e votem em grupos extremistas de direita e esquerda sem expressão nacional.
O jornal explica que o MCG encontrou a receita certa para o sucesso eleitoral em tempos de crise: dirigir-se aos trabalhadores, desempregados, frustrados e “perdedores”, focar um só tema e evitar ser rotulado de populista de direita. Em questões sociais, nos últimos quatro anos, o movimento apoiou vários projetos da esquerda.
swissinfo.ch com agências
A relação de forças no Grande Conselho (Legislativo estadual) de Genebra permanece inalterado após as eleições de domingo.
A direita mantém a maioria (68 dos 100 deputados). Os liberais continuam o partido mais forte do cantão, com 20 cadeiras.
O MCG e o Partido Verde elegeram 17 deputados cada; o Partido Socialista, com 15.
Os radicais e o PDC ficam com 11 cadeiras cada; a UDC, com 9.
Outros partidos nanicos não atingiram o quórum de 7% dos eleitores.
A participação no pleito foi de 39,6% dos eleitores cadastrados.
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