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Tchad é fonte de tensões entre a Suíça e a Líbia

Muammar Kadhafi (à direita) em companhia do presidente tchadiano Idriss Deby em Tripoli, dia 8 de agosto de 2009. AFP

A diplomacia suíça tenta há meses restabelecer a paz no Tchad. Essa iniciativa irrita o coronel Kadhafi, hostil a qualquer ingerência em uma região considerada de influência da Líbia.

Ao mesmo tempo a Suíça está às turras com a Líbia desde julho de 2008 e dois suíços estão retidos em Tripoli. A questão do Tchad é uma fonte adicional de tensões.

Na semana passada em Genebra, vários opositores ao regime do presidente tchadiano Idriss Deby estiveram reunidos, a convite da Suíça. Um deles aceitou falar conosco, exigiu o anonimato.

“Aceitamos conversar com os suíços, mas ainda não nos pronunciamos sobre a oportunidade de abrir negociações com o regime em vigor a N’Djamena. Se estamos na luta armada é porque o contencioso é suficientemente grande”, explica esse rebelde que reside atualmente na Europa.

A ministra suíças das Relações Exteriores, Micheline Calmy-Rey, entrou no páreo muito duvidoso de calar as armas até as legislativas de 2010 (as presidenciais estão marcadas para 2011). Cabe lembrar que a oposição armada, baseada na fronteira do Tchad com o Sudão, chegou até na capital no início de 2008. Cercou o palácio presidencial, mas o presidente Idriss Debi foi socorrido pelas tropas francesas.

“A França sempre pretendeu que seu exército não interveio nos combates. É mentira, ela nos alvejou e pelos menos dois soldados franceses foram mortos nesses confrontos”, garante o opositor tchadiano convidado pela Suíça. Esse contato em Genebra teria sido precedido de outras duas reuniões em maio e julho, também em Genebra. As discussões ocorreram na sede de uma Ong.

Um engajamento pela paz



swissinfo.ch a pediu confirmação desses encontros ao Ministério suíço das Relações Exteriores (DFAE, na sigla em francês). Sem desmentir, a porta-voz Nadine Olivieri Lozano respondeu que “o DFAE não se exprime sobre esse assunto.”

Em contrapartida, o ministério reconhece sem hesitação que “a Suíça examinou as possibilidades de engajamento na política de paz no Tchad e adotou esse princípio no âmbito de uma estratégia de engajamento na África Central e Ocidental (2009-2011).”

Berna também atua no Sudão, na República Centro-Africana e no Camarões “a fim de contribuir ao reforço de capacidades dos atores-chave do processo de paz.”

Presidente da União Africana



Acontece que o coronel Kadhafi, atual presidente da União Africana, considera o Tchad como zona de influência da Líbia. Cabe lembrar os violentos combates nos anos 1980 entre as forças de Hissène Havré, apoiado por Paris, às de Goukouni Oueddei, apoiadas por Tripoli. Mesmo se não pode se opor militarmente à presença francesa, o “Guia” líbio pode, em contrapartida, pressionar um pequeno país com a Suíça.

Até porque a oposição tchadiana é mais hostil a Muammar Kadhafi do que a Idriss Deby. “É evidente que os líbios não gostaram de nossa presença em Genebra. Eles não suportam que os europeus coloquem o nariz nessa região da África e se sentem ofendidos que a Suíça tome iniciativas sem consultá-los”, afirma o rebelde.

O vaivém Tchad-Líbia



Ou seja, o engajamento na política de paz no Tchad não ocorre no melhor momento, sobretudo quando o governo suíço tenta desesperadamente obter o regresso de dois suíços retidos na Líbia desde julho de 2008.

Foi uma medida de represália do regime líbio depois da detenção em Genebra de Hannibal Kadhafi e de sua esposa, filho do “Guia”, acusados de ter maltratado dois empregados domésticos.

Questionado se essa missão no Tchad poderia ser uma fonte adicional de conflito entre Berna e Tripoli, o DFAE respondeu que “nada tinha a comentar sobre esse assunto.” Contatado sexta-feira por e-mail, o advogado suíço Charles Poncet – que defende a Líbia – estava em Tripoli e não respondeu.

Missão delicada

La tâche à laquelle s’est attelée la Suisse est particulièrement périlleuse. Il faut savoir que fin juin, Idriss Deby a accueilli à N’Djamena les principaux opposants au colonel Kadhafi.

Dans le même temps, le colonel recevait à Tripoli les plus farouches adversaires d’Idriss Deby. Après cette démonstration de force, les deux chefs d’Etat ont apparemment trouvé un terrain d’entente: fin juillet, les opposants à Kadhafi se calmaient et renonçaient officiellement à la lutte armée. Quant à certains opposants modérés tchadiens, ils entraient dans le gouvernement de Deby.

Ian Hamel, swissinfo.ch

15 de julho de 2008: Detenção de Hannibal Kadhafi e de sua esposa Aline em Genebra. O casal é indiciado e é colocado em liberdade dia 17 de julho, após o pagamento de uma fiança.

19 de julho de 2008: Dois cidadãos suíços que trabalham na Líbia são detidos, acusados de infração à lei de emigração. Em 29 de julho de 2008, eles são libertados sob fiança, mais não podem sair do país.

9 de abril de 2009: A Líbia apresenta uma queixa cível na justiça de Genebra.

29 de maio de 2009: Sabe-se que a ministra das Relações Exteriores, Micheline Calmy-Rey acaba de passar três dias em Tripoli, em segredo.

20 de agosto de 2009: O presidente da Suíça, Hans-Rudolf Merz viaja a Tripoli e apresenta as desculpas da Suíça. Mas, até agora, os dois suíços não foram liberados.

Existem dois tipos de oposição no Tchad. Uma oposição reconhecida, “legalizada”, composta de cerca de 50 partidos políticos, alguns com apenas algumas dezenas de membros.

A Coordenação dos partidos políticos pela Defesa da Constituição (CPDC), principal coalizão de oposição, negocia atualmente com o poder. Esses partidos, compostos de intelectuais, têm muito pouco eleitorado .

Aoposição armada, em contrapartida, é capaz de derrubar Idriss Deby, 57 anos, que também chegou ao poder pela força, em 1990.

A principal organização é a União das Forças da Resistência (UFR), que controla imensos territórios desérticos perto da fronteira entre o Tchad e o Sudão. Em caso de perigo, a rebelião pode se retirar para o Darfour onde vivem as mesmas etnias.

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