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Rússia acusa Ucrânia de matar mais de 20 pessoas com drones na véspera do Ano Novo

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A Rússia acusou a Ucrânia, nesta quinta-feira (1º), de ter atacado a região de Kherson durante a noite, deixando pelo menos 24 mortos, enquanto Kiev denunciou que Moscou lançou mais de 200 drones contra suas infraestruturas energéticas.

Estes novos ataques, nas primeiras horas de 2026, ocorreram em meio às incertezas que cercam os diálogos destinados a pôr fim ao conflito, cujos resultados continuam sendo uma incógnita. 

Na região ucraniana de Kherson, no sul, controlada pelo Exército russo, Moscou afirma que Kiev atacou com drones uma cafeteria e um hotel na cidade de Khorly, às margens do Mar Negro, durante as comemorações do Ano Novo.

O governador de Kherson nomeado por Moscou, Vladimir Saldo, afirmou no Telegram que pelo menos 24 pessoas morreram e que “dezenas” ficaram feridas. Ele também publicou fotos em que aparecem corpos carbonizados.

Em nota, a chancelaria russa acusou a Ucrânia de “torpedear deliberadamente qualquer tentativa de buscar soluções pacíficas para o conflito” com seus ataques com drones.

O ministério instou os governos estrangeiros e as instâncias internacionais a condenarem “este atentado sangrento”.

Por enquanto, as autoridades ucranianas não reagiram a essas acusações.

– Reuniões na agenda –

Por sua vez, o presidente ucraniano Volodimir Zelensky acusou a Rússia, nesta quinta, de começar um novo ano com mais ataques, no âmbito de sua ofensiva, iniciada em fevereiro de 2022.

“A Rússia começa deliberadamente o novo ano continuando com a guerra, lançando mais de 200 drones” na véspera do Ano Novo, denunciou Zelensky nas redes sociais, informando que Moscou mirou em infraestruturas energéticas.

O presidente ucraniano disse, em seu discurso diário, que seguem previstas as reuniões nos próximos dias para tentar avançar nas negociações.

No sábado será realizada uma reunião na Ucrânia com assessores de segurança dos aliados europeus de Kiev. Uma equipe americana vai participar por videoconferência, informou Zelensky, detalhando que 15 países tinham confirmado sua participação, assim como representantes da União Europeia e da Otan.

Em seguida, na segunda-feira está prevista uma reunião entre comandantes militares para debater as “garantias de segurança” que seus aliados podem fornecer à Ucrânia.

“No campo político, quase tudo está pronto, e é importante resolver cada detalhe do funcionamento das garantias […] se conseguirmos pôr fim à guerra”, disse Zelensky.

Também segue prevista para a terça-feira uma cúpula de chefes de Estado ocidentais, prosseguiu o presidente ucraniano, sem dar mais detalhes sobre o local da reunião. Ele tinha dito anteriormente que o encontro poderia ocorrer na França.  

Antes, em seu discurso de Ano Novo, o líder ucraniano avaliou que um acordo com a Rússia está “90% pronto”, mas que os 10% restantes determinariam “o destino da paz”. 

Seu par russo, Vladimir Putin, instou seus compatriotas a acreditarem na “vitória”, também em discurso de Ano Novo.

– ‘Endurecer’ as negociações –

O Kremlin afirmou esta semana que “endureceria” sua postura nas negociações sobre o fim da guerra, após acusar a Ucrânia de lançar drones contra a residência de Putin na região de Novgorod.

Kiev tachou essa acusação de “mentira” e afirmou que Moscou a estava usando como pretexto para continuar atacando a Ucrânia e minar as negociações. 

Nesta quinta, o Exército russo informou pelo Telegram que possui informações de voo de um drone derrubado durante este suposto ataque e que transmitiria os dados à parte americana.

Enquanto isso, os bombardeios noturnos continuam.

Segundo as autoridades ucranianas, um homem morreu, nesta quinta-feira, em um bombardeio russo na cidade de Kherson e uma mulher ficou ferida em um bombardeio perto de Kharkiv, no nordeste do país.

Em 2025, a Rússia lançou 54.592 drones de longo alcance e 1.958 mísseis em bombardeios noturnos contra a Ucrânia, totalizando 56.550 munições, segundo uma análise de dados feita pela AFP com base em informações fornecidas pela Ucrânia.

Em dezembro, as forças russas lançaram 5.310 mísseis e drones de longo alcance contra o território ucraniano, 6% a menos que em novembro.

Os bombardeios visam, sobretudo, as infraestruturas de gás e eletricidade da Ucrânia. Como ocorreu em invernos anteriores, as autoridades impuseram cortes de luz em várias regiões para mitigar a escassez de eletricidade resultante dos bombardeios.

Em resposta, Kiev costuma realizar ataques contra depósitos de petróleo e derivados e refinarias russas.

bur/pt/jvb/hgs/meb/mvv/yr/rpr

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