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Premiê turco Tayyip Erdogan discursa no Parlmento em Ancara. 15/07/2014 REUTERS/Umit Bektas

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Por Jonny Hogg

ANCARA (Reuters) - O primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, acusou Israel de "aterrorizar a região" com o bombardeio contra a Faixa de Gaza e comparou uma parlamentar israelense a Hitler, em um embate que provavelmente vai piorar as já frágeis relações bilaterais.

Israel retomou nesta terça-feira os ataques contra Gaza, seis horas depois que uma proposta egípcia de cessar-fogo não conseguiu conter os disparos de foguetes por militantes palestinos.

Pelo menos 184 palestinos, muitos deles civis, foram mortos desde que as operações militares israelenses começaram há uma semana.

"Com o desprezo pelo direito internacional, Israel continua a aterrorizar a região", disse Erdogan a membros do Partido AK, do premiê, em um discurso no Parlamento nesta terça-feira.

"Nenhuma tirania é eterna, mais cedo ou mais tarde todos os tiranos têm de pagar o preço... Essa tirania não ficará impune", acrescentou.

As palavras de Erdogan fizeram seus partidários gritarem: "A Turquia tem orgulho de você".

Antigamente, a Turquia era o aliado estratégico mais próximo de Israel na região, mas Erdogan tem sido cada vez mais contundente na sua crítica à forma como Israel tem tratado os palestinos nos últimos anos.

A retórica é bem-vista por sua base eleitoral muçulmana sunita, em grande parte conservadora, em especial em sua campanha para se tornar o primeiro presidente da Turquia eleito diretamente nas eleições de 10 de agosto.

Erdogan também censurou uma parlamentar israelense, aparentemente Ayelet Shaked, do partido ultranacionalista Casa Judaica, parte da coalizão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

"Uma mulher israelense disse que as mães palestinas também devem ser mortas. E ela é um membro do Parlamento israelense. Qual é a diferença entre esta mentalidade e Hitler?", questionou.

A mídia pró-palestina acusou Shaked na semana passada de incitação à violência depois que ela postou no Facebook um trecho dos escritos de um jornalista israelense dizendo que as "mães dos mártires" também deveriam ser mortas, referindo-se a mulheres palestinas cujos filhos realizam atentados suicidas com o encorajamento delas.

"Elas deveriam seguir os passos dos seus filhos. Não há nada mais justo do que isso. Eles precisam ir", de acordo com a mensagem publicada.

O gabinete de Shaked negou que ela tenha incitado à violência, e a própria parlamentar manifestou palavras duras para Erdogan.

"Eu sinto muito que um líder antissemita lidere o governo turco", disse à emissora Canal Dois, de Israel. "Espero muito sinceramente que os laços entre os países e entre o povo judeu e o povo turco continuem a ser fortes e firmes, apesar do seu líder."

(Reportagem adicional de Ece Toksabay, em Istambul; e de Dan Williams, em Jerusalém)

Reuters