Violência doméstica mata mais mulheres que cigarro, álcool e trânsito

O número de mulheres que morrem em consequência da violência doméstica é mais elevado na Suíça do que em muitos outros países europeus, afirma o jornal Le Matin Dimanche, com base nas estatísticas do Eurostat.

Este conteúdo foi publicado em 26. agosto 2019 - 07:45
Os feminicídios ocorrem porque alguns homens consideram as mulheres sua propriedade Keystone / Maurizio Gambarini

Em 2017, houve 0,40 assassinatos de mulheres por 100.000 mulheres, em comparação com 0,13 na Grécia, 0,27 na Espanha, 0,31 na vizinha Itália e 0,35 no Reino Unido, segundo o Eurostat, o serviço de estatísticas da União Europeia. No entanto, os outros países vizinhos da Suíça apresentaram uma taxa mais elevada: França a 0,50 e Alemanha a 0,55.

Nora Markwalder, professora assistente de criminologia na Universidade de St. Gallen, disse ao jornal que, em geral, a taxa de homicídios na Suíça diminuiu consideravelmente em comparação com as décadas de 1980 e 1990, mas a queda foi um pouco menor em ambientes domésticos. "Nossa hipótese é que a redução no número de militares no início dos anos 2000, bem como as diferentes medidas legislativas para manter um melhor controle das armas [em casa], tiveram um papel importante", disse. No entanto, a maioria dos assassinatos é cometida com facas, ressalta Markwalder.

"A violência doméstica mata mais mulheres do que o tabaco, o álcool e o trânsito", observa Lorella Bertani, uma advogada especializada em ajudar vítimas de violência doméstica, também entrevistada pelo jornal suíço.

O "feminicídio" deriva principalmente do fato de que as mulheres são percebidas por alguns como sua propriedade e essa ideia é transmitida na música, nos filmes e na mídia", acrescentou Bertani, exigindo que o respeito seja ensinado.

Mais proteção

Em julho, o governo anunciou medidas para proteger melhor as vítimas de violência doméstica e perseguição. Isto inclui não fazer com que a vítima seja a única responsável pela continuação do processo penal. Isto aplica-se especialmente se a vítima estiver sob pressão para desistir do caso. As medidas deverão entrar em vigor a partir de julho de 2020.

De acordo com o Departamento Federal de Estatística do país, em média uma pessoa morre a cada duas semanas de violência doméstica na Suíça (25 pessoas por ano, durante o período 2009-2018).


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