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Trump insta Cuba a fazer acordo ‘antes que seja tarde demais’

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O presidente americano Donald Trump instou Cuba neste domingo (11) a “chegar a um acordo” ou enfrentar consequências não especificadas, e alertou que o fluxo de petróleo e dinheiro venezuelanos para Havana será interrompido.

A ilha comunista é inimiga dos Estados Unidos e aliada da Venezuela há décadas. Trump subiu o tom agressivo contra Havana nos últimos dias, sobretudo após capturar o presidente deposto da Venezuela Nicolás Maduro há uma semana em uma operação militar em Caracas.

“NÃO HAVERÁ MAIS PETRÓLEO NEM DINHEIRO INDO PARA CUBA: ZERO!”, disse Trump em sua plataforma Truth Social. “Sugiro fortemente que eles façam um acordo, ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS”, acrescentou.

Trump não deu detalhes sobre a que tipo de acordo se referia, nem o que tal acordo poderia alcançar.

Pouco antes de sua mensagem dirigida ao governo cubano, Trump repostou uma mensagem de um usuário no X que sugere que o secretário de Estado Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos, seja presidente de Cuba. E escreveu: “Parece bom para mim!”

Cuba atravessa sua pior crise econômica em 30 anos com uma inflação galopante, cortes de energia e escassez de alimentos, medicamentos e combustíveis.

– ‘Até a última gota de sangue’ –

No total, 32 cubanos morreram nos ataques militares americanos na Venezuela, bem como dezenas de membros das forças de segurança venezuelanas.

“Cuba é uma nação livre, independente e soberana. Ninguém nos diz o que fazer”, respondeu no X o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, após enfatizar que a ilha “está se preparando” e “está disposta a defender a pátria até a última gota de sangue”. 

Há mais de 60 anos, Cuba luta para combater o estrangulamento de sua economia causado pelo embargo imposto pelos Estados Unidos em 1962 e reforçado desde então. 

Nas ruas de Havana, a aposentada Mercedes Simón, de 65 anos, minimizou a importância das ameaças do presidente americano: “Trump não vai encostar em Cuba, não vai […] Veja que todos os presidentes falam, falam e falam, mas não fazem nada.”

Para Marcos Sánchez, um gastrônomo de 21 anos, “seria bom” que entre Cuba e Estados Unidos “pudesse haver algum tipo de relação”. “É preciso chegar a um acordo e não requerer violência nem nenhum tipo de ação negativa contra o país”, disse ele à AFP.

Temendo uma ação militar, Regla González, uma dona de casa de 54 anos, adverte que “as bombas não têm nomes e os conflitos, seja de um jeito ou de outro, afetam a todos”.

– ‘O início do fim’ –

Havana tem dependido cada vez mais do petróleo venezuelano, que é fornecido como parte de um acordo firmado com Hugo Chávez, antecessor de Maduro.

Em sua publicação, Trump disse que “Cuba viveu, por muitos anos, de grandes quantidades de PETRÓLEO E DINHEIRO da Venezuela. Em troca, Cuba forneceu ‘Serviços de Segurança’ aos dois últimos ditadores venezuelanos, MAS NÃO MAIS!”.

“A maioria desses cubanos está MORTA por causa do ataque dos Estados Unidos na semana passada, e a Venezuela não precisa mais da proteção dos bandidos e extorsionários que os mantiveram reféns por tantos anos”, acrescentou.

Pouco depois, na rede X, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, declarou que “Cuba não recebe nem nunca recebeu compensação monetária ou material por serviços de segurança prestados a qualquer país.” 

“Ao contrário dos Estados Unidos, não temos um governo que se envolva em atividades mercenárias, chantagem ou coerção militar contra outros Estados”, acrescentou. 

Ele também afirmou que seu país “tem o direito absoluto de importar combustível dos mercados dispostos a exportá-lo”.

Trump tem utilizado uma retórica agressiva com Cuba depois de insinuar que há outros países na mira dos Estados Unidos após a captura de Maduro. Recentemente, ameaçou Colômbia, México, Irã e Groenlândia.

Alguns legisladores republicanos elogiaram Trump neste domingo por seus comentários agressivos sobre Cuba, entre eles Mario Díaz-Balart, representante da Flórida de origem cubana.

“Estamos presenciando o que, estou convencido, será o princípio do fim do regime em Havana”, escreveu Díaz-Balart no X.

“A tirania em Cuba não sobreviverá ao segundo mandato do presidente Trump, e Cuba será finalmente livre após décadas de miséria, tragédia e dor”.

bur-mlm/mr/lbc/val/cr/aa/rpr

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