Gigante suíça de baterias se alia à tecnologia britânica para alimentar o boom da IA
O grupo suíço FlexBase vai trabalhar com a britânica Invinity Energy Systems para fornecer baterias a um enorme complexo subterrâneo de data centers em construção, em um projeto que busca responder ao aumento da demanda energética da inteligência artificial (IA).
O grupo privado suíço está construindo a instalação em Laufenburg, perto da fronteira da Suíça com a Alemanha, que utilizará baterias de fluxo de vanádio da Invinity para fornecer 1,5 gigawatt-hora de capacidade de armazenamento.
O volume gerado seria suficiente para abastecer cerca de 200 mil residências britânicas por um dia e deve transformar o projeto em uma das maiores instalações de baterias de fluxo do mundo.
Ao contrário das baterias de íon-lítio, as baterias de fluxo de vanádio armazenam energia em eletrólitos líquidos mantidos em tanques externos, em vez de nas próprias células da bateria.
O sistema de baterias tem como objetivo tanto suavizar a demanda volátil de eletricidade proveniente da computação de IA quanto fornecer serviços de estabilização para a rede. A ideia vem no embalo dos esforços crescentes dos data centers para se apresentarem como usuários flexíveis de energia, em vez de uma fonte de congestionamento da rede.
A instalação de baterias na Suíça poderá eventualmente expandir-se para 2,1 GWh em fases posteriores de desenvolvimento, informou a empresa.
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As ações da Invinity subiram até 53% após o anúncio, antes de fecharem o dia com alta de cerca de 30%. A empresa, fundada a partir da fusão em 2020 de duas empresas de baterias de fluxo, está por trás de um projeto piloto no Reino Unido, em conjunto com um painel solar, em East Sussex.
Os sistemas de IA têm exercido enorme pressão sobre a capacidade das redes de eletricidade, provocando aumentos acentuados e flutuações na demanda devido à energia necessária tanto para treinar modelos quanto para gerar respostas.
Em muitos países, as redes enfrentam congestionamentos e longas filas de conexão, à medida que projetos de energia renovável e grandes consumidores de eletricidade competem pela capacidade limitada da rede.
A Invinity afirmou que as baterias de fluxo de vanádio podem carregar e descarregar várias vezes ao dia sem degradação significativa e por longos períodos – até dez horas no caso da Invinity – em comparação com a duração de uma a duas horas, mais comum para baterias de íon-lítio.
Prós e contras
O diretor executivo Jonathan Marren disse recentemente ao Financial Times (FT) que a empresa estava “conversando com um número considerável” de operadores de data centers interessados em baterias de fluxo de vanádio. O baixo risco de incêndio em comparação com as baterias de íon-lítio é outro fator importante para sistemas que serão instalados sob data centers.
“Você não colocaria uma bateria de lítio embaixo de um data center devido ao risco de incêndio. Simplesmente não conseguiria o seguro”, acrescentou Marren.
No entanto, as baterias de fluxo de vanádio permanecem em um estágio relativamente inicial de implantação comercial e são geralmente mais caras do que as alternativas de íon-lítio, o que tem limitado sua adoção até o momento.
A menor densidade energética também torna os sistemas mais volumosos e menos adequados para outras aplicações, como veículos elétricos.
Os data centers estão cada vez mais tentando convencer as operadoras de rede de que podem se tornar usuários de eletricidade mais flexíveis em troca de acesso mais rápido a redes de abastecimento energético.
A National Grid da Grã-Bretanha recentemente fez parceria com a Nvidia e outros grupos de IA para testar se os data centers podem responder a flutuações repentinas na demanda de eletricidade. As empresas afirmaram que cerca de 100 chips da Nvidia foram capazes de reduzir o consumo de energia em mais de um terço em um minuto durante eventos simulados na rede, sem interromper tarefas computacionais críticas.
Fintan Slye, diretor executivo da National Energy System Operator, disse ao FT no mês passado que a postura dos operadores de data centers está mudando “devido à necessidade de o sistema assumir uma flexibilidade para poder acomodá-los e conectá-los”.
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Adaptação: Clarissa Levy
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