Bases da paz na Colômbia discutidas em Genebra.
Sob os auspícios da Suíça, cerca de uma centena de colombianos continuam dicutindo, em Genebra, as bases de um acordo de paz entre o governo de Bogotá e o Exército de Libertação Nacional, - ELN - o 2° grupo guerrilheiro da Colômbia.
Na abertura do encontro o secretário suiço das Relações Exteriores, Franz von Däniken afirmou que “o primeiro objetivo da reunião é reconstruir um capital de confiança recíproca”.
O papel da Suíça é de “facilitar as negociações”, mas ela pode ser solicitada a agir como mediadora entre governo e guerrilha, na tentativa de lançar as bases de um “acordo amplo” aceitável pelo governo e pelo ELN.
Camilo Gomez, Comissário de Paz e braço direito do presidente Andrés Pastrana, afirmou a determinação do governo em encontrar uma solução para o conflito “porque temos passado mais tempo perto dos caixões do dos berços”.
Antonio Garcia, n° 2 do ELN (de tendência guevarista, com mais de 5 mil membros), declarou que “viajou para a Suiça para reafirmar a vontade de paz, apesar das dificuldades”. Ele é assessorado por 2 importantes líderes, Felipe Torres e Francisco Galán, que foram liberados temporariamente da prisão de Medellín onde se encontram há 7 anos, especialmente para participar das discussões em Genebra.
As Forças Armadas Revolucionárias – FARC (comunistas, com 15 mil membros), principal grupo de guerrilha da Colômbia – recusaram convite às negociações. As discussões com as FARC começaram em outubro e uma delegação-conjunta esteve em vários países europeus, inclusive na Suíça, meses atrás.
Além da Suíça, Cuba, Espanha, França e Noruega, integrantes da “comissão internacional de bons auspícios em favor da paz na Colômbia”, criada no início do mês, também enviam observadores. O mesmo fará o Comitê Internacional da Cruz Vermelha.
A registrar que o terceiro movimento de guerrilha do país, o Exército Popular de Libertação – EPL – participa como observador. E dezenas de representantes da sociedade civil colombiana, incluindo magistrados e membros da igreja católica, assistem ao encontro.
Seguindo estratégia das FARC, o ELN deseja conseguir uma zona desmilitarizada, no norte do país “para realizar uma convenção de paz na região.”.
A guerra civil colombiana, desfechada em 1964, já deixou 120 mil mortos, provocou deslocamento de pelo menos dois milhões de pessoas e implica uma média de três mil seqüestros por ano.
Ainda na semana passada, segundo balanço do governo de Bogotá, encontros entre guerrilheiros de esquerda e milícias de direita acarretaram a morte de mais de 100 pessoas…
Swissinfo com agências.
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