Paz na Colômbia não é para breve
Reunidos 2 dias em Genebra, representantes do governo colombiano e do Exército de Libertação Nacional (ELN), 2° movimento de guerrilha do país, não chegaram a acordo sobre as bases de negociação de um acordo, mas manifestaram empenho com a paz.
Os combates entre forças para-militares de direita e guerrilheiros do ENL no norte da Colômbia – com dezenae e dezenas de mortos – apresentatam-se como mais uma pedra no caminho das discussões de bases do processo de paz ou seja um “acordo amplo” de negociações, exigido pelo ELN.
Sinal apontado como um impasse da reunião em Genebra é que os representantes do governo colombiano, dos guerrilheiros do ENL e da sociedade civil – também presentes na cidade – lançaram um apelo aos cinco “países amigos” envolvidos nas discussões (Suíça, França, Espanha, Noruega e Cuba) a salvarem esse processo de paz.
Um pequeno resultado, considerado um gesto de boa vontade, foi o anúncio da libertação na terça-feira, 25/7, de um dos 5 reféns que o ELN mantinha desde abril de 1999. Ele já foi entregue à Cruz Vermelha no norte do país.
Segundo o secretário suíço das Relações Exteriores, Franz von Däniken o objetivo da reunião foi “reconstruir um capital de confiança recíproca”.
Um bom começo era considerado o início de negociações de um cessar-fogo, mas esse objetivo também não foi alcançado.
Todos teriam porém concordado quanto à necessidade de realizar uma ampla “convenção nacional”, com participação da sociedade civil para definir as condições de paz.
Antonio Garcia, n° 2 do ELN (de tendência guevarista, com mais de 5 mil membros), disse ter viajado à Suiça “para reafirmar a vontade de paz, apesar das dificuldades”. Ele foi assessorado por 2 importantes líderes, Felipe Torres e Francisco Galán, que foram liberados temporariamente da prisão de Medellín onde se encontram há 7 anos, especialmente para participar das discussões em Genebra.
Entre as mais de oitenta pessoas presentes figuravam representantes do governo colombiano, da guerrilha, da sociedade civil colombiana e da igreja católica.
O ELN deseja conseguir uma zona desmilitarizada, no norte do país “para realizar a convenção de paz”.
A guerra civil colombiana, desfechada em 1964, já deixou pelo menos 120 mil mortos, provocou deslocamento de dois milhões de pessoas e implica uma média de três mil seqüestros por ano.
Swissinfo com agências.
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