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Dinamarca sacrificará milhões de visons por mutação de coronavírus que infectou humanos

Placa sinaliza em dinarmaquês: "Sem acesso - risco de Covid-19" em criadouros em Hjorring, na Dinamarca afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 04. novembro 2020 - 15:45
(AFP)

A Dinamarca, primeiro produtor mundial de pele de vison, vai sacrificar cerca de 15 milhões de exemplares em seu território por causa de uma mutação da covid-19 que já teria infectado 12 pessoas, o que ameaça a eficácia de uma futura vacina para os seres humanos.

"O vírus que sofreu mutação através dos visons poderia representar um risco de que futuras vacinas (contra a covid-19) não funcionem como deveriam", disse nesta quarta-feira (4) a ministra Mette Frederiksen, durante uma coletiva de imprensa com funcionários da saúde.

"É preciso sacrificar todos os visons", acrescentou, o que representa de 15 a 17 milhões de animais, informou.

A mutação de um vírus é normal, e uma mutação não significa que se comportará de forma diferente, afirmam cientistas. Além disso, determinar as consequências concretas de uma mutação é complexo.

Mas embora esta mutação não agrave as complicações causadas pelo novo coronavírus no ser humano, as autoridades dinamarquesas consideram que se caracteriza por uma eficácia maior dos anticorpos humanos, o que ameaça o desenvolvimento de uma vacina contra o coronavírus.

"Continuar com a criação destes visons suporia um risco muito elevado para a saúde pública", tanto na Dinamarca quanto no exterior", advertiu o encarregado da Autoridade Dinamarquesa se Controle de Doenças Infecciosas (SSI), Kåre Mølbak.

O vírus que sofreu mutação detectado nos visons "não responde tanto aos anticorpos quanto o vírus normal. Os anticorpos sempre têm um efeito, mas não é tão eficaz", afirmou.

Segundo o ministro da Saúde, Magnus Heunicke, "as pesquisas demonstraram que as mutações podem afetar os projetos atuais para uma vacina contra a covid-19".

Essa mutação foi identificada em cinco fazendas diferentes. Os 12 casos de transmissão em humanos do vírus que sofreu mutação foram detectados no norte de Jutlândia (oeste), onde se concentra a maioria dos criadouros. No entanto, não são mais portadores, segundo a SSI.

A Dinamarca é o maior exportador mundial de pele de visons, uma atividade que fez a fortuna de mais de mil fazendas do pequeno reino nórdico.

Depois de detectados os primeiros casos de coronavírus nos animais, o governo lançou uma vasta campanha de sacrifício durante o verão nos criadouros infectados, que se estendeu em outubro devido ao surto de covid-19 em muitos criadouros.

Nesta segunda, as autoridades já tinham sacrificado mais de 1,2 milhão de animais.

O governo prometeu compensações aos criadores. O setor emprega 6.000 pessoas no país de 5,8 milhões de habitantes.

"É um dia negro para todos nós e para a Dinamarca", afirmou Tage Pedersen, presidente da Associação de Criadores de Visons, em um comunicado.

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