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Explosão na faixa de Gaza após ataque aéreo israelense, em 9 de julho de 2014

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Com a ajuda do Irã e da Síria, a organização palestina Hamas reforçou seu estoque de armas com unidades submarinas e foguetes de maior alcance, que nesta sexta-feira chegaram próximo ao reator nuclear de Dimona, em Israel.

É uma retomada do poderio ofensivo do grupo dois anos depois da ofensiva israelense que quase o dizimou.

Nesta quarta-feira, o Hamas disparou três foguetes M-75 em direção ao reator nuclear de Dimona, no sul de Israel e a 80km de Gaza. Dois deles caíram nas imediações, em um espaço aberto, e um terceiro foi destruído, informaram as Força Armadas do país.

Além disso, um ataque submarino da organização palestina contra uma base militar israelense, registrado em vídeo, quando quatro homens chegaram ao local pela água, revela o reforço em sua capacidade de operar no mar, fugindo do bloqueio marítimo à Gaza.

"O Hamas foi muito afetado pela ofensiva das forças israelenses em 2012, mas desde então passaram por um grande processo de rearmamento, graças ao Irã, mas também à Síria", explicou à AFP o coronel Richard Kemp, do Royal United Services Institute (RUSI), de Londres, uma organização de análise militar.

A principal arma utilizada pelas Brigadas Ezzedin al-Qassam - o braço militar do Hamas - é seu variado arsenal de foguetes, alguns com alcance inéditos.

Dois foguetes lançados de Gaza atingiram a cidade portuária de Haifa, no norte, a 165 quilômetros, de acordo com a imprensa israelense. Se a informação for confirmada, seria a maior distância percorrida por foguetes disparados do território palestino.

Ataque submarino surpreendente

O Hamas ganhou desde 2012 mísseis iranianos Fajr-5, com alcance de 75km, e os M75, construídos em Gaza, que chegam a 80km. Ambos podem atingir Jerusalém e Tel Aviv.

Analistas informam que o grupo agora também conta com foguetes M-302, entregues pela Síria, que transcorrem 160km. Seriam estes os lançados contra o reator nuclear.

Nenhum desses mísseis tem um sistema de teleguiamento, o que torna quase impossível acertar alvos precisos.

"Depois de cada conflito com Israel, o Hamas tem sido capaz de continuar aumentando seu potencial", afirmou à AFP Firas Abi Ali, responsável no Oriente Médio da IHS (Information Handling Services), uma consultora de avaliação de riscos.

"Parece ainda que o Hamas foi capaz, nos últimos dois anos, não só de aumentar o número de foguetes, mas também de aumentar a frequência com que são disparados", acrescentou.

Estima-se que o grupo tinha 10.000 mísseis antes dos conflitos de 2012, e, mesmo muitos tendo sido destruídos, o número hoje seria maior.

Sobre o ataque de quatro unidades submarinas contra uma base militar, próxima a Gaza, foi uma grande surpresa, apesar de todos terem morrido.

"Não tem precedentes", declarou Ali. "Isso sugere que foram submetidos a um treinamento sofisticado, que dispõem de informações de inteligência sobre os israelenses e da capacidade de surpreender taticamente. A ideia é dizer aos israelenses: podemos ir atrás de suas linhas e atacar".

Não há números exatos do efetivo do Hamas, mas o relatório anual do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (ISS, na sigla em inglês) estima que as Brigadas Al-Qassam contem com 10.000 homens, e que as tropas de segurança interna do Hamas somem entre 10.000 e 12.000 pessoas.

A organização "está trabalhando para melhorar seu comando e sua estrutura de controle, quer adquirir armas melhores e criar um programa de treinamento", diz o relatório.

AFP