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OPAS adverte para surtos recorrentes de COVID-19 por dois anos nas Américas

Rua comercial reaberta em São Paulo em 10 de junho de 2020, apesar da pandemia de coronavírus afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 25. junho 2020 - 00:47
(AFP)

A Organização Pan-americana da Saúde (OPAS) advertiu nesta quarta-feira (24) para a ocorrência de "surtos recorrentes" de COVID-19 no continente americano nos próximos dois anos e pediu que o Brasil, o segundo país mais afetado pela pandemia no mundo, a realizar mais testes de diagnóstico.

A América Latina e o Caribe, que tiveram o primeiro caso reportado de COVID-19 em 26 de fevereiro no Brasil, viu as infecções se acelerarem em todas as sub-regiões, disse Carissa Etienne, diretora da OPAS, escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Além da "ampla circulação" do vírus no México, há "transmissão generalizada" na América Central, com "alta incidência" em Panamá e Costa Rica, sobretudo na fronteira com a Nicarágua. Na América do Sul, Brasil, Peru e Chile são os mais afetados. O Caribe continua tendo focos de contágio na fronteira do Haiti e da República Dominicana, assim como no Escudo das Guianas.

Etienne lamentou que o número de casos tenha triplicado na região em apenas um mês, passando de 690.000 para mais de dois milhões, e pediu aos países que se preparem para "uma nova forma de vida e redefinir nosso senso de normal".

"Na ausência de tratamentos eficazes ou de uma vacina amplamente disponível, esperamos que durante os próximos dois anos experimentemos na região das Américas surtos recorrentes de COVID-19, que podem ser intercalados com períodos de transmissão limitada", disse na coletiva de imprensa semanal do organismo.

Ela admitiu que "não será fácil" manter as medidas recomendadas para frear os contágios, que tiveram enorme impacto econômico e social em uma região marcada pela pobreza e pela desigualdade. E ressaltou que agora os governos estão pressionados a flexibilizar as restrições "inclusive quando a transmissão está aumentando".

Por isso, disse que são necessários líderes capazes de superar divisões políticas e geográficas, governos flexíveis ao aplicar medidas e garantias de proteção a quem depende de trabalhos informais, denominador comum da região.

- Mais exames no Brasil -

A OPAS informou que acompanha com preocupação a situação no Brasil, que com perto de 212 milhões de habitantes acumula 53.830 mortos e 1.188.631 de casos confirmados do novo coronavírus, sendo superado apenas pelos Estados Unidos.

"O Brasil progrediu em incrementar o número de testes de diagnóstico de COVID-19, mas ainda não chega a 10.000 exames por milhão de habitantes. É necessário que aumentem", disse o diretor de Doenças Transmissíveis da OPAS, Marcos Espinal.

Ele ressaltou que os populosos estados de São Paulo e Rio de Janeiro são os que realizam o maior número de testes, mas devido ao alto número de habitantes, estão muito abaixo do recomendado para determinar o alcance da circulação do vírus.

É "importante" que se intensifiquem os exames para que as autoridades tenham uma ideia da magnitude do surto e "possam tomar decisões rápidas em benefício da população", afirmou.

Desde que a pandemia foi declarada, em março, a OPAS tem pedido a aceleração e a expansão da capacidade de exames dos países para melhorar a gestão dos surtos.

A OMS disse que gostaria de ver que os países avaliassem ao nível de dez testes negativos por um positivo como referência geral de que estão sendo feitos testes suficientes para detectar todos os casos.s

- Não esquecer da dengue -

O Brasil também é o país mais afetado por outras três doenças virais nos países da América Latina e do Caribe: dengue, chicungunha e zika.

A OPAS disse esta semana que o 1,6 milhão de casos de dengue reportados este ano na América, 65% foram no Brasil, seguido de Paraguai (14%), Bolívia (5%), Argentina (5%) e Colômbia (3%). Também foram reportadas altas taxas de incidência em Honduras, México e Nicarágua.

O Brasil concentrou, ainda, 95% dos 37.279 casos de chicungunha e também registrou casos de zika, que somaram 7.452 junto com a Bolívia e a Guatemala.

Apesar da pandemia de COVID-19, Espinal pediu que não haja descuido nas ações para eliminar os criadouros dos mosquitos que podem transmitir estas doenças.

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