A Lua pode ser parte da Terra
A Terra e a Lua têm a mesma origem. É o que acabam de descobrir cientistas da Escola Politécnica Federal de Zurique (EPFZ) e da Universidade de Colônia, na Alemanha.
Com a descoberta, os cientistas revisam o conceito da formação e da origem do satélite da Terra.
O artigo publicado na última edição da revista científica Nature de 20 de dezembro, um grupo de cientistas da Escola Poltécnica Federal de Zurique (EPFZ), dirigido por Thorsten Kleine e seu doutorando Matthieu Touboul, revela algo de espetacular.
Os pesquisadores acham que é possível provar que o material constitutivo da Terra e da Lua têm a mesma origem. Essa suposição contradiz o conceito em vigor, comprovado por modelos informáticos, de que a Lua é um corpo comprimido do planeta que colidiu com a Terra pouco depois da formação do sistema solar.
“Só vejo duas possibilidades: os modelos informáticos estão errados e a Lua é uma parte da Terra que se desprendeu dela depois de uma colisão, ou então a massa lunar, de consistência magmática, é proveniente de outro planeta e formou um anel – depois de sua fase de resfriamento – ao redor da Terra, com a qual estabeleceu um intenso intercâmbio químico”. Assim se explicaria o parentesco geoquímico entre a Terra e a Lua.
Pegadas isotópicas
Esse parentesco químico foi comprovado comparando a composição dos isótopos da Terra e da Lua. A composição é diferente em cada planeta do sistema solar como se fosse uma impressão digital.
No caso em questão foram medidos os isótopos de volfrâmio com número de massa 182, cuja freqüência varia de maneira típica entre um planeta ou meterito e outo. Supondo que Lua tivesse outra origem, haveria diferenças nas impressões digitais de volfrâmio com a Terra. Porém, não é o caso.
Determinar a idade
Medir o volfrâmio 182 também serve para determinar a idade de processos mais remotos. O Volfrânio 182 é uma parte do produto resultante da decomposição radioativa de háfnio 182, uma substância muito instável que, por essa razão, despareceu do sistema solar nos primeiros 60 milhões de anos depois do “big bang”.
Por isso, a partir desse momento já não era possível formar volfrâmio 182. Segundo Kleine, “as medições mais exatas até agora de volfrâmio 182 demonstram que as diferentes amostras lunares possuem concentrações idênficas”.
Os pesquisadores concluem que o mineral lunar teve de ser formado depois do desaparecimento do háfnio 182, ou seja, há 45 milhões de anos. Além disso, como a tal colisão foi provavelmente o último ato na formação do planeta, a Terra deve ter nascido ao mesmo tempo que a Lua.
swissinfo, Ulrich Goetz
Thorsten Kleine e sua equipe de cientistas do Instituto de Geologia Isotópica da Politécnica de Zurique já estiveram em evidência dois anos atrás, quando determinaram a idade exata da Lua e da Terra, em seu estado atual.
Entre 30 e 50 milhões de anos depois da formação do sistema solar, houve uma colisão entre um planeta do tamanho de Marte e a Terra. Nessa colisão teria sido formada a Lua, satélite terrestre.
As pesquisas foram publicadas no outuno de 2005 na revista científica Science.
Como a ciência é um processo evolutivo, Thorsten Kleine teve que revisar sua hipótese de 2005. “Dispúnhamos de muito pouco material lunar. Devido a algumas impurezas nesse material, houve imprecisões”, afirma ele agora.
Entretanto, a NASA entregou à equipe novas amostras lunares.
As análises demonstraram então que a Terra e a Lua são mais jovens do que se pensava. Atualmente estima-se sua idade entre 4,45 e 4,50 milhões de anos.
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