Será uma boa ideia ir à Copa do Mundo nos EUA?
Bem-vindos à nossa análise da cobertura da imprensa sobre os acontecimentos nos Estados Unidos. Todas as quintas-feiras, analisamos como a imprensa suíça tem noticiado e reagido a notícias de destaque nos EUA.
Você já reservou seus voos, hotéis e ingressos para a Copa do Mundo de Futebol de 2026, que começa daqui a cerca de três semanas nos Estados Unidos, Canadá e México? Daqui do meu confortável sofá em Berna, estarei torcendo pela Suíça, Inglaterra e Escócia, mas se você estiver indo para os EUA, a emissora pública suíça SRF traz algumas dicas do que fazer e do que não fazer para minimizar as chances de ser barrado na fronteira.
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A Copa do Mundo de futebol masculino de 2026 começa na América do Norte em menos de um mês. A Suíça se classificou e disputará duas das três partidas da fase de grupos na Califórnia – mas, como questionou a emissora pública suíça SRF esta semana, “será que viajar para os EUA é uma boa ideia neste momento?”
“De acordo com o site do Ministério das Relações Exteriores da Suíça, viajar para os EUA é, em geral, seguro”, tranquilizou a SRF seus leitores na segunda-feira, observando que o ministério alerta para o risco de ataques terroristas ao viajar para quase todos os países, incluindo os Estados Unidos.
O site também recomenda explicitamente que as pessoas tomem cuidado ao participar de eventos esportivos e culturais nos EUA, “mas, mesmo quando solicitado, o ministério não esclarece o que exatamente significa ‘tomar cuidado’”.
De 11 de junho a 19 de julho, a Copa do Mundo será realizada na América do Norte, com partidas nos Estados Unidos (11 cidades), no México (três) e no Canadá (duas).
A SRF lembra aos torcedores suíços que, para entrar nos EUA como turista por até 90 dias, não é necessário visto, mas sim uma autorização de viagem ESTA – embora tenha alertado que isso não é um bilhete de entrada garantido. “Desde o segundo mandato do presidente dos EUA, Donald Trump, a popularidade das viagens aos EUA diminuiu. Isso se deve, em parte, a relatos de pessoas a quem foi negada a entrada, apesar de possuírem documentos de viagem válidos.” Jã cidadãos brasileiros necessitam de visto.
Lorenz Wolffers, advogado de Nova York especializado em direito de imigração, disse à SRF que a entrada nos EUA quase sempre ocorre sem problemas.
“A entrada nos EUA para cidadãos suíços com passaporte válido e ESTA é, na grande maioria dos casos, tranquila. No entanto, surgem dificuldades se a pessoa tiver antecedentes criminais, seja nos EUA ou na Suíça.” Mesmo infrações menores, como excesso de velocidade, podem levar ao cancelamento do ESTA em curto prazo ou à recusa de entrada, alertou ele.
Também podem surgir problemas se as autoridades suspeitarem que – apesar de entrar como turista – uma pessoa pretenda trabalhar nos EUA. “Os funcionários da imigração dos EUA podem questionar o objetivo da viagem. Se, com base nas circunstâncias, houver suspeita de que alguém irá trabalhar nos EUA, a entrada pode ser recusada”, disse Wolffers.
Para esse fim, ele explicou que os funcionários também poderiam usar informações do celular ou laptop do viajante. “Qualquer pessoa que acesse regularmente o sistema de seu empregador suíço enquanto estiver nos EUA já está operando em uma área cinzenta.”
Os três jogos da Suíça na fase de grupos serão contra o Catar (13 de junho, em Santa Clara, Califórnia), a Bósnia e Herzegovina (18 de junho, em Inglewood, Califórnia) e o Canadá (24 de junho, em Vancouver).
- O que é bom saber antes de viajar aos EUALink externo – SRF (em alemão)
- Recomendações de viagem aos EUA do Ministério das Relações Exteriores da SuíçaLink externo (em alemão, francês e italiano)
- Queda em viagens aos EUA deve continuar – Swissinfo, fevereiro de 2026 (em inglês e francês)
Na sexta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou de uma cúpula em Pequim, onde os temas incluíram comércio e tarifas. “Teria sido melhor ele ter ficado em casa”, foi o veredicto de um jornal suíço.
Na última terça-feira, um dia antes de Trump partir para Pequim para dois dias de negociações com seu homólogo chinês, o diário zuriquenho Tages Anzeiger já tinha um mau pressentimento. “Xi Jinping, na verdade, já ganhou”, era o título de seu editorial. Isso porque “a estratégia da China está focada na tecnologia e na autossuficiência, enquanto os EUA, sob o governo Trump, agem sem uma direção clara”.
O jornal de Zurique destacou que a economia chinesa cresceu 5% no primeiro trimestre. “Este não é um país que seria forçado a fazer grandes concessões a Washington”, afirmou. “A China não terá que dar muito a Trump – apenas algo que ele possa vender internamente como uma grande vitória.”
Então, o que aconteceu? “Dois tons muito diferentes surgiram após a reunião entre Donald Trump e Xi Jinping”, escreveu a Tribune de Genève no sábado. “Donald Trump parecia triunfante, proclamando a quem quisesse ouvir que havia negociado acordos para aviões da Boeing e que conta com o apoio de ‘seu amigo chinês’ em relação à crise no Estreito de Ormuz. Xi Jinping disse pouco, ou quase nada. No entanto, a sutil menção a um risco de ‘conflito’ decorrente de qualquer desacordo sobre Taiwan silenciou a fanfarra da mídia em torno do presidente americano.”
A Tribune de Genève concluiu que, independentemente do que o líder dos EUA pense ou diga, “Donald Trump está saindo da China como um perdedor. Desfrutando de uma passagem privilegiada pelo Estreito de Ormuz, Pequim observa seu adversário atolar-se nele”.
O jornal Neue Zürcher Zeitung (NZZ) também não se mostrou impressionado na segunda-feira, em seu editorial intitulado “Seria melhor ele ter ficado em casa”. Trump, segundo o jornal, teria “minado as vantagens únicas dos Estados Unidos: suas alianças, seu soft power e sua superioridade institucional”.
A alienação de aliados leais por parte de Trump, com sua política tarifária e “ambições imperiais” no Canadá e na Groenlândia, caiu direto no colo da China, escreveu o jornal.
“Para evitar ficar completamente à mercê dos caprichos americanos, os aliados dos EUA estão buscando fortalecer suas relações com a China por iniciativa própria. […] O enfraquecimento das alianças americanas anda de mãos dadas com uma perda dramática do soft power americano. Em países europeus como Espanha, Itália e Alemanha, os EUA são vistos como uma ameaça maior do que a China”, afirmou.
“A cúpula em Pequim mostra exatamente o quão ineficazes as políticas de Trump têm sido até agora”, concluiu o NZZ. “A crise do Irã deixa claro que a China não é uma amiga, mas uma rival autoconfiante dos EUA que está cada vez mais levando vantagem sobre Washington. O presidente americano não pode resolver esse problema com elogios e cúpulas grandiosas. Ele precisa de uma estratégia e de alianças fortes. Para conseguir isso, Trump não precisa viajar para Pequim, mas sim para as capitais dos aliados mais leais dos EUA.”
- Editorial do Tages-AnzeigerLink externo (em alemão, paywall)
- Editorial da Tribune de GenèveLink externo (em francês, paywall)
- Editorial do NZZ editorialLink externo (em alemão, paywall)
Em janeiro de 2025, o governo dos EUA reduziu drasticamente sua assistência ao desenvolvimento. A emissora pública suíça SRF explica agora como, na África, onde a escassez de ajuda humanitária é mais dramática, a violência está aumentando.
“Os surtos de violência, saques, agressões e confrontos entre gangues armadas estão aumentando em locais onde o governo dos EUA reduziu abruptamente sua ajuda ao desenvolvimento na África no início de 2025”, informou a SRF na sexta-feira, reproduzindo as conclusões de um estudo realizado por Dominic Rohner, economista da Universidade de Lausanne.
Rohner afirmou que cortar a ajuda humanitária acarreta riscos que vão muito além do fechamento de clínicas médicas, escolas ou estradas inacabadas. “Pessoas cujas perspectivas são precárias têm mais chances de recorrer à violência”, disse ele à SRF. “Aqueles que têm uma vida boa e muito a perder são menos propensos a fazê-lo.”
A SRF afirmou que o aspecto fatal da decisão dos EUA provavelmente é que a ajuda foi retirada abruptamente e sem aviso prévio. As promessas foram quebradas; não houve uma redução gradual. “Os países afetados quase não tiveram oportunidade de compensar o que estava faltando”, afirmou.
No entanto, Rohner não quer adotar uma visão pessimista. “Sabemos muito bem o que tem um efeito positivo: educação escolar, bons serviços de saúde e comércio justo ajudam a prevenir a violência.” As receitas são claras, disse ele.
- Depois do fim da USAIDLink externo – Reportagem da SRF (em alemão)
- Como os EUA usaram ajuda humanitária para ganhar influência no mundo – Swissinfo, maio de 2025
A próxima edição de “Notícias dos EUA” será publicada na quinta-feira, 28 de maio de 2026. Até lá!
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Adaptação: Eduardo Simantob, com auxílio do DeepL
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