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Novartis baixa preço de remédio contra malária

Daniel Vasella, patrão da Novartis - arquivo Keystone Archive

Envolvida na polêmica sobre o preço de medicamentos, em particular na África do Sul e no Brasil, o grupo farmacêutico Novartis, com sede em Basiléia, associa-se à OMS no combate à malária. Um novo remédio "mais eficaz", fabricado pela empresa, será vendido a preço de custo à OMS. A malária mata 1 milhão de pessoas por ano.

Um acordo nesse sentido foi assinado na quarta-feira entre o patrão da Novartis, Daniel Vasella, e a diretora geral da Organização Mundial de Saúde, Gro Harlem Brundtland. O tratamento completo com o “Coartem” – nome do novo medicamento – é avaliado em US$ 2,50 (4 francos e 25 centavos).

Para os países em desenvolvimento, o remédio deverá custar cerca de 20 francos (11 dólares aproximadamente) e nos países industrializados, com o nome de “Riamet”, sobe para 72 francos (por volta de 41 dólares). Assim os países ricos deverão pagar cerca de 17 vezes mais pelo mesmo novo medicamento contra a malária, composto de “Artemether”, um derivado de planta chinesa, e de “lumefantrine”, que curaria 95% dos casos de impaludismo.

Duas vantagens são apontadas nesse remédio:
– é bem tolerado pelas crianças, principais vítimas da enfermidade,
– é de eficácia rápida mesmo contra parasitas resistentes, não tendo até agora provocado justamente o efeito de resistência aos remédios tradicionais, que vem dificultando o combate à malária.

A enfermidade que atinge 300 milhões de pessoas por ano a mata mais de um milhão, faz estragos na África, onde seria responsável pela morte de 20 por cento de crianças de menos de 5 anos.

Segundo lembra o jornal “Le Temps”, de Genebra, Novartis já doa remédios anti-lepra e decidiu distribuir gratuitamente, nos Estados Unidos, um medicamento contra a leucemia – o “Gliven” – para pessoas com rendimentos anuais inferiores a 43 mil dólares por ano.

A iniciativa de Novartis “visa retocar a imagem”, depois de ter sido acusada – juntamente com outros laboratórios – de se preocupar unicamente com lucros. Ainda recentemente, o grupo e outras empresas do setor farmacêutico desistiram de processar o governo sul-africano na questão dos genéricos no combate a Aids.

A multinacional viu-se também visada pelo Brasil na recém-encerrada assembléia anual da OMS. O Brasil voltou a insistir direito ao acesso, a preços baixos, pelas populações dos países pobres a remédios contra a aids.

Mas Novartis defende com empenho as patentes. Na OMS, o diretor do grupo, Daniel Vasella insistiu que para inovar a indústria precisa de proteção dos direitos de propriedade intelectual.

Resta que, segundo escreve “Le Temps”, a empresa tem uma “estratégia defensiva”. Outra multinacional suíça, Roche, também de Basiléia, está na defensiva, mas sem estratégia.

swissinfo

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