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Bombardeio russo deixa Kiev sem calefação no inverno; prefeito pede evacuação da cidade

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Metade dos prédios residenciais de Kiev ficou sem calefação nesta sexta-feira (9), após uma noite de intensos ataques russos que deixaram pelo menos quatro mortos e durante os quais, pela segunda vez desde o início da guerra, Moscou lançou um míssil hipersônico Oreshnik. 

O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, pediu aos moradores em condições de fazê-lo que deixassem temporariamente a cidade.

“Metade dos prédios residenciais de Kiev — quase 6.000 — está atualmente sem calefação devido aos danos à infraestrutura crítica da capital causados por um intenso ataque do inimigo”, disse Klitschko nas redes sociais. 

A capital ucraniana registrou cerca de -8°C nesta sexta-feira, e a temperatura continuava caindo. 

A empresa privada de eletricidade DTEK informou que 417.000 residências em Kiev estavam sem energia. 

Cerca de 40 prédios foram danificados nos ataques russos, incluindo 20 residenciais e a embaixada do Catar na capital, segundo o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky. A polícia relatou quatro mortos e 24 feridos. 

Moscou bombardeou Kiev poucas horas depois de rejeitar um plano europeu para enviar uma força multinacional à Ucrânia após um possível fim da guerra.

A Ucrânia e seus aliados, empenhados em pôr fim ao conflito que se aproxima do seu quarto ano, estabeleceram nesta semana que a Europa enviará tropas para o território ucraniano após um eventual cessar-fogo. 

Mas Moscou, que lançou a invasão em fevereiro de 2022, em parte para impedir a entrada da Ucrânia na Otan, rejeitou repetidamente a ideia de forças ocidentais enviadas ao país e afirmou, na quinta-feira, que tais tropas seriam consideradas “alvos militares legítimos”.

Enquanto a diplomacia tenta fazer a sua parte, a Rússia prossegue com ataques diários contra a Ucrânia em meio às temperaturas congelantes do inverno. 

O Ministério da Defesa russo alegou ter usado um míssil hipersônico Oreshnik, com capacidade nuclear, contra “alvos estratégicos” na madrugada desta sexta-feira, em resposta a um suposto ataque com drone em dezembro contra uma residência do presidente Vladimir Putin, o qual a Ucrânia nega. 

A Rússia já havia usado um míssil semelhante, com ogiva convencional, contra a Ucrânia no final de 2024. 

As autoridades ucranianas afirmaram que uma “instalação de infraestrutura” foi atingida pelo míssil perto da cidade de Lviv, no oeste do país.

O Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) publicou imagens de destroços que apresentou como pertencentes ao míssil Oreshnik.

– “Teste” para UE e Otan –

Zelensky exigiu uma “resposta clara” da comunidade internacional ao ataque, que “ocorreu justamente quando uma forte onda de frio atingiu o país”. 

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andriy Sibiga, descreveu o ataque hipersônico como uma ameaça à Europa e um “teste” para os aliados de Kiev. 

“Um ataque desse tipo perto da fronteira da UE e da Otan representa uma séria ameaça à segurança do continente europeu e um teste para a comunidade transatlântica. Exigimos respostas firmes”, disse nas redes sociais. 

A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, afirmou nesta sexta-feira que o lançamento do míssil hipersônico é um sinal “claro” de uma “escalada” no conflito. Reino Unido, Alemanha e França o classificaram como “inaceitável”.

Segundo Etienne Marcuz, da Fundação para a Pesquisa Estratégica, a escolha de Lviv, perto das fronteiras da UE, “busca enviar um sinal aos países europeus”. “É uma forma de lembrá-los de sua vulnerabilidade”, afirmou no X.

A Força Aérea ucraniana declarou que os russos lançaram 36 mísseis e 242 drones de vários tipos, e acrescentou que seus sistemas de defesa aérea derrubaram 226 veículos aéreos não tripulados e 18 projéteis. 

Do outro lado da fronteira, o governador da região russa de Belgorod informou que mais de meio milhão de pessoas ficaram sem eletricidade ou calefação após um ataque ucraniano a instalações de serviços públicos. 

Quase 200 mil pessoas também ficaram sem água, acrescentou o governador Vyacheslav Gladkov.

– “Muito longe” de um acordo –

Esta última onda de ataques russos ocorre depois de a Embaixada dos Estados Unidos em Kiev ter alertado, na quinta-feira, que um “ataque aéreo potencialmente significativo” poderia ocorrer a qualquer momento nos próximos dias. 

A Ucrânia continua lutando para restabelecer a calefação e o abastecimento de água a centenas de milhares de casas após os ataques russos desta semana a instalações de energia nas regiões de Dnipropetrovsk e Zaporizhzhia. 

Embora Zelensky tenha afirmado que o acordo entre Kiev e Washington sobre as garantias de segurança dos EUA estava “praticamente pronto para ser concluído”, o chanceler alemão Friedrich Merz reconheceu que um acordo de cessar-fogo ainda estava “muito longe”, dada a posição da Rússia.

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