A razão ganhou da emoção
No final de semana, os suíços votaram a favor de três projetos do governo, rejeitando os argumentos emocionais da oposição.
Pouco mobilizados quando os temas são complexos e técnicos, apenas pouco mais de um terço dos eleitores votaram.
As pesquisas davam resultado apertado na votação sobre as células tronco, mas finalmente ela foi aprovada por mais de 65% dos poucos eleitores que compareceram às urnas no final de semana na Suíça.
Os adversários da lei fizeram uma campanha com argumantos puramente emocionais mas não convenceram.
Preencher um vazio jurídico
Os auto-proclamados meios de defesa da vida alegavam que fazer pesquisa com seres vivos não era éticamente viável. Os que defendiam o projeto realçaram que serão destinados à pesquisa apenas os embriões congelados excedentes que, de qualquer maneira, seriam inutilizados.
Inclusive os ecologistas eram contra, temendo que se trate de uma primeira etapa para a eugenia e a clonagem de seres humanos.
O principal argumento dos defensores da lei – os progressos da medicina – também era relativos porque os resultados dessas pesquisas ainda são desconhecidos e, de qualquer maneira, à longo prazo.
Os eleitores foram mais realistas, não aceitando fechar as portas para a ciência e suas possíveis aplicações médicas.
De fato, a lei permite preencher um vazio jurídico pois as pesquisas com célular tronco humanas já existem na Suíça, embora com embriões importados.
A aprovação da lei permitirá portanto que os cientistas tenham uma maior margem de trabalho, sem a necessidade de importar embriões excedentes.
Aumentar a solidariedade
Os outros dois temas do referendo eram financeiros e os eleitores confirmaram uma visão pragmática dos suíços
Ninguém gosta de pagar impostos. No entanto, os eleitores aprovaram o novo regime financeiro da Confederação, que dá ao governo federal, até 2020, o direito de aumentar a TVA (imposto sobre o consumo) e o imposto federal direto.
O essencial do sistema fiscal suíço é descentralizado. A maior parte dos impostos arrecadados fica nos estados e municípios. Se esse projeto fosse rejeitado, o Estado federal seria privado de 60% das receitas.
O outro projeto aprovado – redistribuição de obrigações entre a esfera federal e cantonal – também tinha uma conotação pragmática.
Mesmo mantendo o princípio da solidariedade confederativa, a reforma permitirá evitar certas atribuições duplas entre estados e governo federal. A reforma leva em consideração ainda um visão mais moderna permitindo subvenções a certas ativadades das grandes cidades.
Críticos perderam
Os adversários da medida temiam que os recursos que serão destinados aos cantões sejam finalmente desviados dos serviços públicos essenciais para outras prioridades.
Boa parte da campanha foi focalizada na gestão dos ateliês destinados às pessoas deficientes físicos e mentais. A integração dos deficientes é um assunto altamente emocional mas os adversários não conseguiram convencer que os deficiente terão um tratamento inferior na esfera estadual.
Praticamente 65% dos eleitores entenderam que a lei terá mais vantagens que incovenientes.
Pouco entusiasmo
Mas os temas subtidos ao voto popular do final de semana não provocaram entusiasmo nos suíços. Pouco mais de um terço os eleitores compareceu à urnas.
Só para comparar, a taxa de participação tinha ultrapassado 50% em setembro, quando os assuntos eram o futuro dos correios, a naturalização facilitadas para jovens estrangeiros nascidos no país e o seguro-maternindade.
Os temas do último final de semana eram muito técnicos e complexos e é por isso também que o governo conseguiu aprovar suas três propostas.
swissinfo, Olivier Pauchard
adaptação, Claudinê Gonçalves
64,% dos eleitores aprovaram uma reforma financeira descentralizadora.
73,8% aceitaram o novo regime financeiro da Confederação.
66,4% aceitaram a lei sobre as células tronco.
Participação: 35,7%
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