Encontros alternativos de olho em Davos
O badalado Forum Econômico de Davos, reunindo a nata do mundo empresarial e político, vem sendo cada vez mais acompanhado, denunciado ou contestado por Organizações Não-Governamentais (ONGs). Reuniões paralelas de 25-31/1 proliferam, inclusive no Brasil.
A nova edição do Forum Econômico de Davos, nos Alpes Suíços, realiza-se de 25 a 31 de janeiro.
Meses antes do evento, a polícia suíça já se preparava para garantir o bom andamento desse novo encontro que se autodefine como “world’s global business summit” (encontro empresarial do mundo globalizado). E a polícia suíça tem trabalho pela frente.
No fim de janeiro convergem para a cidadezinha de Davos cerca de 1000 grandes empresários, 250 líderes políticos e 250 acadêmicos e especialistas nos mais diferentes domínios, inclusive alguns prêmios Nobel, além de centenas de jornalistas.
A globalização econômica (integração dos mercados internacionais) é inevitável e cada um pode tomar consciência do fenômeno. Mas as conseqüências da mesma não são apreciadas da mesma maneira pelos que estão por cima e pelos que estão por baixo.
É principalmente pelo trabalho de ONGs que o Forum Econômico de Davos parece tomar maior consciência que no mundo todos estão no mesmo barco e que globalização responsável é aquela que respeita o interesse comum.
Essa tomada de consciência é tida ainda como muito relativa. Daí as reuniões paralelas ao evento.
Na edição 2001 do evento, realiza-se pela segunda vez o “The Public Eye on Davos” (o olho público …), num edifício situado em frente ao Palácio dos Congressos, na cidadezinha alpina.
Seu objetivo é “acompanhar o desenvolvimento de simpósio de maneira crítica”. Preocupada com o “dumping social” procura evitar que o Forum “estenda sua dominação sobre a política internacional”.
Lideram esse movimento duas organizações suíças preocupadas com questões terceiro-mundistas e ambientais: Declaração de Berna e Pro Natura.
“The Public Eye on Davos” tem intenções pacíficas, distanciando-se da “Coordination Anti-OMC” que marcou protesto em Davos para dia 27, desafiando proibição das autoridades.
O Forum Econômico orgulha-se de ter convidado 59 representantes da sociedade civil a participarem do encontro. E de fato há ONGs como WWF – fundo mundial para a proteção da natureza e Greenpeace. Ambos com preocupações ecológicas. Greenpeace, p.ex., quer redução de emissões de CO2 (gases responsáveis pelo efeito estufa).
Em Zurique, o grupo ATTAC, bem presente no conturbado encontro da OMC em Seattle (estado de Washington, EUA) em novembro de 1999, tem também encontro marcado.
No entanto a reunião paralela anti-Davos mais importante está programada em Porto Alegre, sul do Brasil, no mesmo período do Forum Econômico nos Alpes suíços. Na capital gaúcha estão sendo aguardados milhares de representantes de ONGs, de meios sindicais e da sociedade civil de modo geral.
Entre as personalidades de destaque, o francês José Bové, a ex-primeira dama da França, Danielle Mitterrand e o prêmio Nobel da Paz, José Ramos Horta. Já no Brasil, Horta busca apoio para a defesa da soberania de Timor Oriental.
J.Gabriel Barbosa
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