The Swiss voice in the world since 1935

Ongs suíças denunciam fabricantes de computador

As empresas terceirizadas ignoram as normas mínimas de trabalho (fair-computer.ch).

Duas ONGs suíças denunciam as condições de trabalho na terceirização das principais marcas de computador distribuídas na Suíça.

A Ação de Quaresma e a Pão para o Próximo – duas organizações cristãs – pedem que os consumidores protestem contra a exploração de trabalhadoras asiáticas e propõem aos fabricantes uma parceria para melhorar a situação.

Os computadores são um símbolo por excelência da modernidade. Mas as condições de produção são socialmente arcaicas. Esta é a mensagem lançada pela Ação de Quaresma e pela Pão para o Próximo, duas Ongs cristãs, em sua campanha anual.

As duas Ongs suíças estão embasadas em uma série de estudos feitos na China, na Tailândia e nas Filipinas pelo Centro de Pesquisa Sobre as Empresas Transnacionais (SOMO), com sede na Holanda. Os resultados foram revelados na Suíça e posteriormente nos demais países europeus.

Entrevista de Charles Ridoré, secretário da Ação de Quaresma.

swissinfo: O que é mais chocante nos resultados desses estudos?

Charles Ridoré: todo trabalho deve respeitar a dignidade humana. Ora, nesse setor como em outros, as empresas se deslocalizam, o que provoca desemprego no hemisfério norte e exploração nos países do Sul, sem outro motivo que não seja uma margem de lucro máxima.

Quanto às condições de produção de computadores, citaria em primeiro lugar os baixos salários. Se os trabalhadores são pagos corretamente, terão pelo menos recurso aos cuidados médicos e esse não e o caso.

Além disso, a fabricação de computadores pode também colocar em perigo a saúde dos empregados pela presença de produtos tóxicos ou pelo curto espaço de tempo de recuperação.

Enfim, os entraves à organização sindical dos trabalhadores impedem qualquer processo de melhoria das condições de trabalho.

swissinfo: O que o sr, propõe para mudar essa situação?

CR: Nossa inspiração vêm do movimento pelo comércio eqüitativo e de campanhas anteriores na indústria têxtil e de confecção. Essas ações demonstram que os consumidores podem fazer escolhas éticas em suas compras.

No contexto desta campanha, que atinge uma ferramenta utilizada diariamente por quase todas as faixas étarias, solicitamos aos compradores – particulares, empresas e administrações públicas – que interpelem os fabricantes de computadores presentes na Suíça.

Essas empresas declaram geralmente serem sensíveis às questões sociais e éticas. Eles querem, em todo caso, manter uma boa imagem.

Algumas delas adotoram até códigos éticos. No entanto, eles precisam ser aplicados.

swissinfo: Mas como os consumidores suíços podem agir concretamente?

CR: Nossa campanha visa primeiramente informar a população suíça. Propomos também exprimir a preocupação dos consumidores enviando mensagens de reivindicação às empresas ativas na Suíça.

Esperamos que os fabricantes receberão um número significativo de mensagens. Assim teremos uma posição mais forte para negociar com as empresas e obter o que reivindicamos.

De maneira geral, pedimos que reconheçam sua responsabilidade social no conjunto da cadeia de produção e não somente nas lojas de vendas na Suíça. Se elas têm um código de conduta, devem difundí-lo a todos os que participam da fabricação e da montagem de seus computadores.

Reivindicamos especialmente a liberdade sindical, a não-discriminação, a interdição do trabalho forçado e a abolição do trabalho infantil, ou seja, os quatro direitos fundamentais ditados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Nós estamos prontos para negociar um projeto-tipo com as empresas para fazer esse trabalho de formação e informação.

swissinfo, Frédéric Burnand, Genebra

Na base da campanha das Ongs suíças estão estudos do Instituto SOMO (Centro de Pesquisa sobre as Empresas Transnacionais, Amsterdã) com a colaboração de diversas associações de consumidores europeus.

Estão diretamente ligadas a cinco marcas majoritárias no mercado suíço_

Elles concernent les cinq marques qui tiennent l’essentiel du marché suisse:
Hewlett Packard, Dell, Acer, Apple e Fujitsu Siemens.

Segundo esses estudos, todas essas empresas terceirizam a produção em países que ignoram as normas mínimas de trabalho prescritas pela OIT.

Segundo as ONGs suíças, Hewlett Packard e Dell são as mais preocupadas com esse problema. Apple e, mais ainda Acer e Fujitsu Siemens praticam uma política opaca sobre as condições de fabricação de seus computadores.

Mais lidos

Os mais discutidos

Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch

Mostrar mais: Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch

Veja aqui uma visão geral dos debates em curso com os nossos jornalistas. Junte-se a nós!

Se quiser iniciar uma conversa sobre um tema abordado neste artigo ou se quiser comunicar erros factuais, envie-nos um e-mail para portuguese@swissinfo.ch.

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR