“Honra e responsabilidade” na Unesco
Reunido em Brasília até 3 de agosto, o Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco decidiu increver 21 novos sítios no Patrimônio Mundial. No total, a lista contém agora 911 sitios
Entre os que decidiram está o representante suíço, Rudolphe Imhoof. Esta é segunda vez que a Suíça participa do Comitê.
Eleita por quatro anos por 104 votos de um total de 140, em outubro de 2009, a Suíça está no comitê da Unesco ao lado de outros 20 países. Isso é uma honra, mas também uma grande responsabilidade, segundo o chefe da delegação suíça, que também é delegado permanente do país junto à Unesco.
swissinfo.ch: O que significa para a Suíça ser membro do Comitê do Patrimônio Mundial?
Rodolphe Imhoof: A Convenção do Patrimônio Mundial é bem conhecida e tem uma grande visibilidade. Os Estados estão atentos ao que se faz ali. Portanto, para os países-membros do comitê é uma tribuna interessante de participação da vida internacional, especialmente para aqueles que acolhem uma sessão do comitê.
Também é uma responsabilidade. Jamais um outro país foi eleito com tantos votos nesse comitê como a Suíça. E a competição era real. As expectativas também são altas e temos de responder à confiança que nos foi dada.
swissinfo.ch: Quais são as prioridades da Suíça para esse segundo mandato?
RI: O contexto mudou. Se a filosofia do “patrimônio mundial da humanidade” é a mesma e deve continuar assim, a Convenção evoluiu nesses 30 anos. Vale lembrar que a Suíça foi membro do Comitê de 1978 a 1985.
A Suíça pretende apoiar a estratégia global existente, chamada “5C”: credibilidade, conservação, reforço de capacidades, comunicação e comunidades.
A parte operacional da Convenção tornou-se mais complexa. São necessários mecanismos claros que todo mundo compreenda, aceite e possa colocar em prática para apresentar dossiês ou para garantir a proteção de sítios. Os princípios que devem guiar nossa visão são técnicos.
Nosso objetivo também é promover os programas em que a Suíça pode demonstrar um real valor agregado. Por exemplo, a formação de especialistas e de responsáveis pela gestão de sítios em regiões extra europeias.
swissinfo.ch: Atualmente, mais 900 sítios estão inscritos. É demais ou muito pouco?
RI: Mil sítios é um número mágico. A Convenção festejará seus 40 anos em 2012. Será que esse número será alcançado? De qualquer maneira, foi lançada uma reflexão sobre o futuro da Convenção. O número de sítios é menos importante do que a capacidade de gerir o conjunto e o de manter credível em termos de qualidade ou do justo reconhecimento do valor universal excepcional dos sítios.
swissinfo.ch: A questão do equilíbrio da lista do patrimônio mundial é fundamental para garantir sua credibilidade. As medidas adotadas até agora não foram muito eficazes. O que é preciso fazer?
RI: Equilíbrio e credibilidade não são obrigatoriamente sinônimos. Será que a Europa é super-representada ou o Sul que é subrepresentado. Eu acho que não.
A Convenção é por vezes criticada por seu eurocentrismo e devemos encorajar e facilitar as inscrições de outras regiões do mundo. A Suíça e vários outros países se comprometem em apoiar os países na parte administrativa de seus pedidos de inscrição.
Mesmo que leve tempo para chegar a um equilíbrio credível. É preciso realçar ainda a adoção na Unesco em 2003 da Convenção de Preservação do Patrimônio Cultural Imaterial, que deveria permitir o reconhecimento de outras formas de expressão cultural em que o Sul é particularmente rico.
Os perigos para a credibilidade da convenção decorrem menos de desigualdades regionais do que da recente decisão de cortar alguns sítios da lista da Unesco. Isso equivale a uma derrota para todos nós.
swissinfo.ch: A Convenção da Unesco sobre o patrimônio mundial data de 1972. O contexto mudou, então é preciso reformular os critérios de seleção e reavaliar os sítios existentes?
RI: Os critérios evoluíram e os sítios são avaliados, individualmente e em caso de ameaça confirmada, assim como globalmente, em vários relatórios periódicos em todas as regiões. A Convenção do Patrimônio Mundial é algo vivo, que evolui e se enriquece do que já produziu anteriormente. Os critérios de qualidade devem ser determinantes na seleção. Não há razão de fazer tabula rasa.
swissinfo.ch: Em 2009, a Suíça festejou a inclusão de dois sitos: as cidades relojoeiras
RI: No momento, duas candidaturas na Suíça ainda estão pendentes: as palafitas pré-históricas no arco alpino e edifícios e a obra de Le Corbusier. Ambos são projetos transnacionais. Não haverá outras candidaturas até o final do mandato da Suíça no Comitê da Unesco.
Stefania Summermatter, swissinfo.ch
(Adaptação: Claudinê Gonçalves)
A nova lista de sítios inscritos no patrimônio cultural da humanidade inclui desde uma prisão na Austrália a uma área de testes nucleares no atol de Bikini.
Em sua reunião anual, em Brasília, o Comitê da Unesco inclui 20 novos sítios na lista.
No total, agora 910 sítios de mais de 140 países estão na lista do patrimônio da humanidade da Unesco:
704 sítios culturais e 179 sítios naturais.
27 sítios são tanto patrimônio cultural quanto natural.
O selo da Unesco facilita o acesso a recursos de fomento e valoriza atrações turísticas.
Os representantes dos 21 países no Comitê da Unesco são eleitos para um período de 4 a 6 anos.
Países: Austrália, Bahrein, Barbados, Brasil, Camboja, China, Egito, Emirados Árabes, Estônia, Etiópia, Rússia, França, Iraque, Jordânia, Mali, México, Nigéria, Suécia, África do Sul, Suíça eTailândia.
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