Cinemateca suíça inaugura centro de pesquisa

Milhares de filmes antigos e raros, livros, cartazes e outros tesouros cinematográficos - um dos arquivos cinematográficos mais importantes do mundo - encontraram um novo lar perto da cidade de Lausanne.

Este conteúdo foi publicado em 09. setembro 2019 - 17:00
swissinfo.ch
O novo centro de pesquisa e arquivo suíço em Penthaz armazena 85.000 títulos de filmes, ou 700.000 rolos Keystone / Laurent Gillieron

Depois de vinte anos de preparação, a Cinemateca Suíça inaugurou na sexta-feira (6) um novo e moderno centro de pesquisa e arquivo em Penthaz, no oeste da Suíça. 

"Este é um momento extremamente importante, há muito esperado", disse à swissinfo.ch o diretor da Cinemateca, Frédéric Maire.

O centro de 50 milhões de francos suíços armazena 85 mil títulos de filmes, ou 700 mil rolos, além de 2,5 milhões de fotografias, 500 mil cartazes, 26 mil livros, duas mil câmeras de filmes raros e outras valiosas parafernálias cinematográficas em seus cofres profundos, que se estendem por uma área equivalente ao tamanho de três campos de futebol. O local também abriga um cinema de 40 lugares, uma área museológica e salas de conferências. Emprega cerca de 50 pessoas - de especialistas em restauração de filmes a técnicos de TI. 

"Esta é uma das mais importantes coleções de tesouros cinematográficos do mundo. Mas o que é particularmente notável é que ela constitui a memória do cinema suíço", disse o ministro Alain Berset, cuja pasta inclui a cultura, na inauguração.

A Federação Internacional de Arquivos de Filmes (FAIF) também descreveu a coleção suíça como um dos dez arquivos cinematográficos mais importantes do mundo.

O ministro suíço Alain Berset conversa com um técnico no centro de Penthaz Keystone / Salvatore Di Nolfi

A Cinemateca foi criada oficialmente em 1948, quando o interesse pós-guerra por filmes e cineclubes decolou na Suíça. Ela se beneficiou dessa popularidade inicial e, como o mercado suíço era importante para as distribuidoras internacionais, construiu uma enorme coleção de arquivos, dos quais mais de 50.000 são longas-metragens estrangeiros.

O lugar também tem milhares de filmes e outros materiais suíços, que recebeu de diferentes fontes - profissionais e amadores - que são de imenso valor histórico.

Um especialista restaura um cartaz no centro de Penthaz Keystone / Laurent Gillieron

Longo processo 

Reunir os arquivos sob um novo teto foi um processo longo e difícil. Na década de 1950, pilhas de rolos de filmes de nitrato e outros arquivos foram armazenados em estábulos e outros locais em Lausanne, antes de serem transferidos para uma antiga usina nuclear em Lucens. Mais tarde, em 1988, o influente ex-diretor, Freddy Buache, comprou uma oficina de encadernação abandonada em Penthaz para realojar a enorme coleção que ajudou a acumular.

O governo suíço estava inicialmente relutante em colocar a mão no bolso para apoiar o arquivo. Mas finalmente, em 1998, no 50º aniversário da Cinemateca, ele entrou em cena e comprou o velho centro de Penthaz. Um projeto para um novo prédio moderno foi concebido no início dos anos 2000, mas a primeira pedra só foi colocada em 2011. 

O projeto foi adiado para convencer o governo a financiar uma estratégia digital. 

"Se não tivéssemos feito isso, teríamos permanecido um arquivo do século XX", disse Maire.

O diretor da Cinemateca, Frédéric Maire, na sala de servidores do novo centro Keystone / Laurent Gillieron

Entrando na era digital 

Ao lado das salas onde especialistas restauram cuidadosamente estoques enormes de filmes antigos, computadores e scanners funcionam sem parar como parte da estratégia de digitalização. Já que os cinemas estão usando cada vez menos os filmes em bobinas, o processo de digitalização ajuda a mostrar as valiosas obras clássicas do centro, explicou Maire.

Com relação à preservação, restauração e digitalização de filmes, a Cinemateca dá prioridade à "Helvética" - uma noção que inclui todos os materiais considerados parte do patrimônio cinematográfico suíço.

Todos os anos, ela restaura cerca de 40 curtas e seis-sete longas-metragens. No próximo domingo, durante um festival na capital alemã, Berlim, será apresentada pela primeira vez uma versão restaurada do La Roue (A Roda), de Abel Gance. A restauração foi feita graças a uma cópia única dos arquivos de Penthaz.

"É bom ter todos esses arquivos, mas se não podemos mostrá-los é inútil. Nossa missão e principal desafio é conservar e restaurar, e torná-los acessíveis via digitalização", disse Maire. 

"E é importante que um dia haja uma plataforma online nacional, não ligada a operadoras comerciais, que permita o acesso do público aos filmes suíços.

Vista aérea do novo centro de pesquisa e arquivo em Penthaz, no norte de Lausanne Keystone / Laurent Gillieron

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