Cúpula global em Nova Délhi defende uma ‘IA segura, confiável e robusta’
Dezenas de países, incluindo os Estados Unidos e a China, defenderam uma inteligência artificial “segura, confiável e robusta” em uma declaração conjunta divulgada neste sábado (21), após a cúpula sobre o tema realizada em Nova Délhi.
“Promover uma IA segura, confiável e robusta é fundamental para construir confiança e maximizar os benefícios econômicos e sociais”, afirma a declaração assinada por 86 países e duas organizações internacionais.
A declaração não inclui compromissos concretos, mas destaca iniciativas voluntárias, como a partilha internacional de capacidades de pesquisa em IA.
“Acreditamos que a promessa da IA só se concretiza plenamente quando os seus benefícios são compartilhados com a humanidade”, afirma a declaração, divulgada um dia mais tarde do que o previsto.
A Cúpula de Impacto da IA, que reuniu dezenas de milhares de pessoas em Nova Délhi, incluindo CEOs de grandes empresas do setor, foi o quarto encontro anual sobre inteligência artificial generativa.
Os Estados Unidos não assinaram a declaração do ano passado e, na cúpula deste ano, anunciaram na sexta-feira que rejeitam “totalmente” qualquer governança global da IA.
Horas antes desse posicionamento de Washington, o secretário-geral da ONU, António Guterres, tinha confirmado a criação de uma comissão científica com o objetivo de “tornar o controle humano uma realidade técnica” para a inteligência artificial.
Entre os temas mais prementes discutidos estavam os potenciais benefícios da tradução multilíngue por IA, as ameaças que essa tecnologia pode representar para o emprego e o consumo de energia dos centros de dados.
“Reconhecendo as crescentes demandas da IA sobre energia, infraestrutura e recursos naturais, enfatizamos a importância do desenvolvimento de sistemas de IA eficientes do ponto de vista energético”, afirmou o comunicado.
Também incentiva a adoção de estruturas “adequadas” que “estimulem a inovação, promovendo o interesse público”.
Analistas já haviam alertado que compromissos concretos eram improváveis, dada a abrangência do encontro e a imprecisão das promessas feitas em cúpulas anteriores na França, Coreia do Sul e Reino Unido.
– Tom cauteloso –
Os Estados Unidos assinaram a declaração principal da cúpula, que originalmente deveria ter sido divulgada na sexta-feira, mas foi adiada em um dia para maximizar o número de signatários, informou o governo indiano.
Em relação aos riscos de segurança que a IA pode representar — da desinformação aos temores da criação de novos patógenos devastadores — a declaração da cúpula adotou um tom cauteloso.
“Continua sendo importante aprofundar nossa compreensão dos potenciais aspectos de segurança”, afirma a declaração.
“Reconhecemos a importância da segurança nos sistemas de IA, das medidas voluntárias lideradas pela indústria e da adoção de soluções técnicas e estruturas políticas adequadas que permitam a inovação”, continua.
A lista de oradores da cúpula, que começou na quinta-feira, incluiu o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi; o presidente Luiz Inácio Lula da Silva; o presidente francês, Emmanuel Macron; e o secretário-geral da ONU, António Guterres.
Também estiveram presentes representantes de gigantes da indústria, como Sam Altman, diretor da OpenAI.
O cientista da computação Stuart Russell, um influente pesquisador de IA, disse à AFP que os compromissos deste sábado não eram “completamente irrelevantes”.
“O mais importante é que haja compromissos”, afirmou.
A próxima cúpula sobre IA acontecerá em Genebra, em 2027. Enquanto isso, um painel da ONU sobre IA começará a trabalhar em prol de uma “governança baseada na ciência”, afirmou Guterres na sexta-feira.
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