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Nova etapa na luta contra a doença do sono

Imagem do tripanossomo transmitido pela mosca tsé-tsé. www.ucm.es/www.ucmp.berkeley.edu

Biólogos da Universidade de Berna descobriram meio de combater o "tripanosoma brucei", parasita responsável pela doença do sono.

Essa doença, como a malária, a febre amarela e outras enfermidades transmitidas por insetos, atingem as regiões mais pobres do mundo. Regiões onde faltam recursos econômicos, as águas estão infestadas e as populações vivem em situações precárias.

Pesquisa prometedora

O interesse da indústria farmacêutica por essas doenças tropicais é mínimo porque as pesquisas não compensam. As terapias disponíveis são antiquadas e superadas diante da evolução de agentes patógenos mais resistentes. Além disso, essas terapias provocam efeitos colaterais graves.

Diante desse panorama desolador, só pode ser auspicioso o trabalho de cientistas que aplicam tecnologias avançadas na luta contra enfermidades
negligenciadas. É o caso de pesquisadores como Thomas Seebeck e Roya Zoraghi, do Instituto de Biologia Celular de Berna, a capital suíça. Os dois biólogos identificaram um ponto fraco do “trypanosoma brucei”, o parasita monocelular responsável pela doença do sono, transmitido ao homem pela mosca tsé-tsé.

Veículo de contágio

A mosca, muito difundida nas florestas e savanas da África ao sul do Saara, transmite o parasita e o injeta no organismo de suas vítimas quando as pica para sugar o sangue, como o faz o mosquito que transmite a febre amarela.

O “trypanosoma brucei” reproduz-se no sangue das vítimas (animais e homens) durante uma fase de incubação caracterizada por sintomas leves: febre, dor de cabeça e dores musculares. O parasita chega então ao cérebro de seu “hóspede” e o danifica de maneira irreversível.

Os sintomas que se manifestam nessa fase são muito mais graves: desorientação, falta de coordenação dos movimentos, insônia noturna e sono diurno irresistível. E por fim, o paciente entra em coma e morre.

Proteína milagrosa

Os medicamentos utilizados até agora para tratar da doença do sono apenas são eficazes no início da fase de infecção e provocam graves efeitos colaterais. A descoberta dos dois biólogos de Berna – descrita em páginas de “Proceedings of the National Academy os Sciences” -, abre perspectivas de emprego de novas substâncias letais para o parasita e menos prejudiciais ao organismo do paciente.

Thomas Seebeck e Roya Zoraghi isolaram uma proteína do “trypanosoma brucei” indispensável para sua propagação no sangue da vítima. Os dois biólogos experimentaram numa amostra de sangue infetado uma substância que impede o funcionamento dessa proteína. O parasita parou de reproduzir e, por fim, morreu.

Maria Cristina Valsecchi

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