O passado difícil de esquecer
Comissão de historiadores constata novamente o papel desempenhado pelo governo e pelos bancos suíços durante a Segunda Guerra Mundial.
A comissão independente de especialistas “Suíça-Segunda Guerra Mundial”, apresentou quinta-feira 10 novos relatórios sobre esse período da história recente da Suíça. O relatório final será publicado em dezembro ao governo suíço.
Os novos estudos da Comissão Bergier, do nome do historiador que a presidente – Jean-François Bergier – se concentram no desempenho da praça financeira suíça e das autoridades.
Nos 8 relatórios sobre as atividades dos bancos, a comissão conclui que eles tiveram um “papel problemático” nas relações com a Alemanha nazista e no caso das contas inativas de judeus. Diz ainda que as autoridades suíças se concentraram sua atenção em preservar os interesses da praça financeira.
Títulos roubados
Um dos relatórios contata as transações de valores entre a Suíça e o Terceiro Reich se intensificaram durante a guerra devido a importação de papéis roubados. Realça, no entanto, que certos bancos foram prudentes e controlaram as transações desses títulos.
Os historiadores afirmam também que havia uma “pressão considerável” dos bancos, devido o contexto de guerra, e que o governo federal da época renunciou a investigar a orígem dos papéis.
Na questão das contas inativas com haveres não reclamados, os especialistas da Comissão Bergier verificaram que certos bancos ocultaram informações a herdeiros dos clientes, alegando que os documentos eram destruidos 10 anos depois do fechamento da conta.
“A maneira de resolver esse problema das contas inativas adotada pelos bancos, Associação suíça de Banqueiros e pelo Estado, fez com alguns desse bens ainda estejam nos cofres de bancos suíços”, segundo a Comissão.
Operações ocultas
Outro estudo, intitulado “Camuflagem, transferência, trânsito, Suíça eixo de operações ocultas do regime nazista”, explica com precisão e pela primeira vez, os mecanismos que permitiram camuflar os interesses econômicos alemães no estrangeiro.
Muitas empresas alemãs e participações em empresas de capital estrangeiro foram transferidas para suíços, em acordos que previa a retomada das ações depois da guerra. Muitas dessas empresas entavam na lista negra dos aliados na guerra contra a Alemanha.
2 bilhões em capital alemão
Os relatórios também abordam a transferência de capitais alemães para a Suíça, que se intensificaram quanto se aproximava a queda de Hitler.
Os depositários suíços evitaram declarar essas somas, como deveriam, mas a Comisão calcula que foram mais de 2 bilhões de francos suíços, da época.
Neutralidade violada
A Comissão Bergier constatou também que, no aspecto jurídico, a neutralidade do Estado suíço não foi respeitada. Houve diversas entregas de armas aos alemães com o consentimento da administração militar.
Houve, portanto, violação das convenções de Haia, que regiam o direito de neutralidade, em vigor nessa época.
swissinfo e agências
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