Senegal rejeita acordo de imigração com a Suíça
O governo senegalês decidiu não submeter ao Parlamento a ratificação de um acordo assinado em janeiro com a Suíça, prevendo o trânsito de requerentes que não obtém asilo na Suíça.
A decisão é justificada pela oposição da opinião pública senegalesa.
Assinado em Dakar, em 8 de janeiro último, pela ministra suíça da Justiça e Polícia, Ruth Metzler, o acordo previa a possibilidade para a Suíça de enviar para o Senegal os requerentes africanos que não obtém asilo político na Suíça.
Política interior
Muitos africanos chegam à Suíça sem documentos esse acordo permitiria que fossem enviados para Dakar, onde suas respectivas embaixadas poderiam identificá-los. Se isso não fosse possível no prazo de 72 horas, os requerentes seriam trazidos de volta à Suíça.
O acordo deveria ser ratificado pelos dois Parlamentos mas o governo senegalês desistiu de enviar o projeto, que suscitou forte oposição no Senegal.
Reagindo à decisão do governo senegalês, a ministra suíça Ruth Metzer lamentou o fato e afirmou que a Suíça vai continuar buscando uma solução para concretizar os objetivos desse acordo.
A ministra disse ainda, através de um comunicado, que respeita o sistema democrático senegalês e sua disponibilidade em continuar o diálogo com a Suíça sobre as questões migratórias.
Outros europeus assinaram
Desde o início o projeto havia suscitado críticas de Ongs senegalesas e suíças. Em geral elas consideravam que a Suíça queria fazer do Senegal um centro de triagem de requerentes de asilo.
O governo suíço, ao contrário, considerava que o acordo era uma forma de lutar contra o tráfico de seres humanos, uma vez que os requerentes africanos chegam à Suíça sem documentos através de filiais mafiosas que cobram pelo serviço.
Outros países europeus, especialmente França e Alemanha, assinaram e aplicam o mesmo tipo de acordo com o Senegal.
swissinfo com agências
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