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Suíça quer prevenir bioterrorismo

Voluntários simulam intervenção no aeroporto de Tuzla, na Bósnia. Keystone Archive

Para tentar preparar um eventual ataque terrorista com o virus da varíola, a Suíça vai criar vários centros de vacinação.

Estudos clínicos já começaram com um grupo de voluntários para testar uma vacina antiga.

Em margem da guerra no Iraque e do risco de recrudescência do terrorismo, a Suíça tenta antecipar-se.

Virus em mãos duvidosas

No caso da varíola “o que é terrível, em termos de terrorismo, não é a chegada de um virus geneticamente modificado mas do virus selvagem”, afirma Pierre-Alain Raeber, responsável pela vigilância de doenças contagiosas na Secretaria Federal de Saúde, em Berna.

Um virus conservado oficialmente na Rússia e nos Estados Unidos mas que, segundo serviços secretos americanos, existiria também em cerca de 12 países “potencialmente terroristas”.

Com base nessas informações, a Organização Mundial de Saude (OMS), em Genebra,
estuda planos para uma estratégia de vacinação. Em caso de ameaça séria, se vários casos de varíola humana fossem constatados, tudo deveria estar preparado para vacinar rapidamente o maior número de pessoas, no mundo inteiro.

Em 2002, a Suíça comprou, por 11,8 milhões de francos, 3 milhões de doses de vacinas contra a varíola produzidas entre 1970 e 1980 e estocadas na Farmácia do exército, no cantão de Berna.

Essa vacina é antiga porque a varíola foi erradicada na Suíça em 1932 e a vacinação foi interrompida nos anos 70.

Depois do 11 de setembro

Nos últimos meses, algumas dezenas de voluntários recrutado entre o pessoal médico e paramédico, foram vacinados contra a varíola. Na segunda etapa do estudo, a amostra passará a algumas centenas de pessoas o que permitiria, em caso de necessidade, de vacinar toda a população do país.

Esse cenário catastrófico está na última fase, elaborada por uma unidade de crise criada na Suíça depois dos atentados do 11 de setembro, nos Estados Unidos.

Os especialistas da chamada “Comissão B”, com representantes dos Cantões (estados), do exército, do laboratório de Spiez (especialista em armas químicas, biológicas e nucleares) e da Secretaria Federal de Saúde, elaboraram cinco cenários de catástrofes.

O primeiro foi com o antrax. Depois, considerado “mais provável” foi o perigo de um ataque com virus da varíola e vários governos vacinaram seus militares.

É que o virus da varíola é muito contagioso e a taxa de mortalidade, entre as pessos nao vacinadas, pode ir de 20 a 40%, segundo especialistas. Pensa-se ainda no botulismo, na peste e na tularemia.

Cenário catastrófico

Depois disso, somente o Centro de Medicina Social e Preventiva de Zurique era capaz de tratar os cientistas que trabalhavam com a vacina da varíola. “É uma vacina muito delicada”, afirma Alain Raeber.

Atualmente, o centro de vacinação do Hospital de Genebra já está operacional. Outros centros serão capacitados para uma vacinação em massa.

Os testes feitos até agora foram bem sucedidos, segundo especialistas, inclusive com vacinas diluidas para reduzir os efeitos secundários, que também podem ser fatais. Estatisticamente, em 1 milhão de pessoas vacinadas, uma ou duas morreriam de efeitos secundários.

Em caso de necessidade de vacinar os 7 milhões de habitantes da Suíça, uma dezena de pessoas poderia morrer com os efeitos secundários.

swissinfo, Isabelle Eichenberger

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